Caso Patrícia
Delação premiada aponta mandante da morte da juíza

A motivação para o assassinato da juíza Patrícia Acioli seria uma investigação sobre o envolvimento do tenente-coronel Claudio Luiz Oliveira, que foi exonerado nesta terça-feira (27/9), em casos de corrupção e execuções. O ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) foi apontado como o mandante da morte da juíza por um dos cabos que já se encontrava preso pelo crime, em acordo de delação premiada.

A afirmação foi feita pelo delegado da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Ettore, em entrevista coletiva à imprensa na tarde desta terça-feira (27/9).

O nome do cabo que acusou o ex-comandante não foi revelado. Ele se beneficiou da delação premiada, em audiência de antecipação de provas realizada nesta segunda-feira (26/9), depois da qual o juiz Petersen Barroso, da 3ª Vara Criminal de Niterói, decretou, a pedido do Ministério Público, a prisão temporária, por 15 dias, de mais sete policiais militares: além do tenente-coronel Claudio Luiz, os PMs Charles de Azevedo Tavares, Alex Ribeiro Pereira, Carlos Adílio Maciel Santos, Sammy dos Santos Quintanilha, Jovanis Falcão Junior e Junior Cezar de Medeiros.

O delator e sua família foram incluídos no serviço de proteção à testemunha, a pedido da Defensoria Pública. Os outros policiais deverão ficar no presídio Bangu VIII.

O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, destacou a “maneira transparente” como vem sendo conduzida a investigação que, segundo ele, está próxima do desfecho. “Mas como ainda há pessoas a serem ouvidas, não podemos revelar alguns fatos”, completou. Ao seu lado, a chefe da Polícia Civil do Rio, delegada Martha Rocha, fez coro, pontuando que “antes de 60 dias a Polícia Civil já terá concluído o inquérito do assassinato de Patrícia Acioli”. A delegada informou, ainda, que até o momento 380 armas foram periciadas.

Desfecho próximo
Indagado pelos jornalistas se é possível fazer alguma previsão, o delegado Felipe Ettore reiterou que “o desfecho está próximo”. “Há testemunhos de que o tenente-coronel Claudio é o autor intelectual dessa trama macabra. Ele ia ser preso mais cedo ou mais tarde”, completou. Questionado sobre o papel de cada um no crime, o delegado disse que prefere aguardar os depoimentos que restam para se pronunciar.

O procurador-geral do Estado do Rio, Claudio Lopes, anunciou que, após as prisões temporárias, começa agora a “fase judicial”. Ele fez questão de parabenizar a Polícia “por elucidar num prazo curto esse crime bárbaro”.

Questionado por um jornalista, o secretário José Beltrame negou que a transferência de comando do Batalhão de São Gonçalo para o da Maré não teria sido uma espécie de “promoção” para o tenente-coronel Claudio Luiz. “Proteção nunca houve, nunca haverá. Quem me conhece sabe que não compactuo com isso.”

Magistratura atenta
Ao agradecer, “em nome da magistratura fluminense”, o presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), desembargador Antonio Cesar Siqueira, salientou que a Polícia Civil, “mesmo diante de um crime sem testemunhas e apenas com provas técnicas, apontou três executores no prazo de um mês”. “Naquele momento, afirmamos que o inquérito prosseguiria, porque estávamos certos de que havia um mandante”, disse. “Temos que fazer justiça de forma tranquila, não somos justiceiros”, completou.

Ainda de acordo com o desembargador, se por um lado “é preciso parabenizar a Polícia Civil pela investigação, em que todos mantiveram o respeito à regra do silêncio”, por outro, não pode passar em branco o fato de que um comandante da Polícia Militar esteja envolvido no crime da juíza Patrícia Acioli. “É inaceitável que certas pessoas, algumas ocupando cargos de comando na PM, estejam envolvidas num crime como esse. Temos que reinventar o Estado.” Com informações da Assessoria de Imprensa da Amaerj.

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Sobre César.

Liberdade é o direito de fazer tudo o que a lei permite. Montesquieu

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