Os Segredos da MOTIVAÇÃO
Coleção Sonhos Estratégicos ™
http://www.sonhosestrategicos.comINTRODUÇÃO
Em torno de 70% das pessoas que me procuram estão em
busca de uma solução para o “problema da motivação”. Sejam
indivíduos que se sentem desmotivados na vida pessoal e/ou
profissional ou gestores que buscam uma forma de motivar os
funcionários. Em ambos os casos, as pessoas estão em busca de
soluções rápidas, como se houvesse um “segredo” em posse de
consultores e estudiosos do comportamento humano que uma
vez descoberto, resolveria todos os problemas relacionados à
motivação.
Eu e minha equipe recebemos dezenas de emails todos os
dias com perguntas do tipo: “O que eu faço para me sentir mais
motivado?”; “Como eu posso motivar os meus funcionários?” A
resposta não é como uma fórmula que uma vez aplicada, resolve
o problema. Somos seres humanos, não máquinas. Funcionários
são pessoas reais, não recursos.
É possível que exista sim um “segredo” com relação à
motivação nas mãos dos consultores. Pelo menos do ponto de
vista de que a grande maioria das pessoas desconhece o que
realmente é motivação e como ocorre o processo de motivação
tanto pessoal quanto profissional. Descortinado este mistério,
fica nas mãos de cada um utilizar “o segredo” da melhor forma
possível. Saber como algo funciona não quer dizer nada. Colocar
em prática exige algo mais do que o simples conhecimento.
Este pequeno manual de motivação foi escrito para revelar
este “segredo” a você. O que você fará com ele é opção sua!
Começaremos colocando por terra os mitos relacionados ao
tema. A motivação é um dos temas mais mal compreendidos e
explorados de forma ingênua e irresponsável na literatura,
principalmente no que há disponível na internet. A rede
possibilitou que milhões de pessoas com os mais variados níveis
de conhecimento tivessem a oportunidade de escrever e publicar
blogs e artigos posando de especialistas no assunto ou
simplesmente dando uma mera opinião. Fran Christy
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Em seguida, vamos acompanhar brevemente a evolução do
estudo da motivação. Isto poderá ajudá-lo principalmente se
você estiver fazendo um trabalho acadêmico sobre o assunto e
também para que você compreenda os mitos e falsas
interpretações que já viraram senso comum sobre o assunto.
No terceiro capítulo, você saberá o que é de fato motivação
e como ocorre o processo de motivação pessoal. Em seguida,
abordaremos a questão da motivação em empresas,
respondendo a questões como “como motivar funcionários?”,
“palestras motivacionais realmente funcionam?” ou “como
manter um ambiente motivador em toda a empresa?”
Leia este manual, distribua livremente, imprima, mande por
email, utilize estas idéias em seus trabalhos acadêmicos,
apresentações e principalmente aplique-as em sua vida!
Apreciaremos muito se você nos enviar sua opinião, pergunta ou
sugestão. Estamos sempre trabalhando para melhorar as
soluções que oferecemos a você!Fran Christy
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1. OS MITOS DA MOTIVAÇÃO
Não são poucos os temas cujo o senso comum tornou-se
tão arraigado à cultura que poucas pessoas questionam-se sobre
sua validade. A motivação é um deles. Frases bonitinhas e
palestras empoladas eclipsaram a ciência e transformaram as
soluções para os problemas motivacionais em band-aids,
somente mascarando os sintomas de problemas muito mais
profundos e sérios. Neste capítulo falaremos de alguns destes
mitos.
1.1 Faça o que gosta e você se sentirá motivado
Esse é um dos mitos mais comuns. Nas minhas buscas pela
internet para saber o que havia de material disponível sobre o
assunto, encontrei muito essa “dica”. Eis o que está errado com
ela: Como veremos adiante a motivação está relacionada com
objetivos futuros – é o motor que o move em direção do que
você deseja. Pessoas bem-sucedidas, que atingiram e continuam
buscando objetivos, fazem o que for preciso para chegarem onde
desejam. Isto significa, muitas vezes, fazer o que não se gosta!
Foi identificado como uma das características de pessoas bemsucedidas a disposição para fazer o que as fracassadas não
querem fazer. O fracassado só pensa no momento imediato – só
pensa em fazer o que gosta. O bem-sucedido não olha para a
satisfação presente, é movido pelo desejo de conquistar os seus
objetivos, por isso não se importa em realizar atividades
desagradáveis no presente.
1.2 É possível motivar o outro
Não é novidade o conceito de que ninguém pode motivar
outra pessoa. No entanto, o que se observa nos ambientes
organizacionais é que, tanto os administradores, quanto osFran Christy
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profissionais de RH, desperdiçam tempo e recursos tentando
inutilmente motivar os trabalhadores. A coqueluche do momento
é contratar “gurus motivacionais” para promoverem cursos e
palestras que prometem motivar os empregados. As empresas,
por experiência própria sabem que essa prática tem um efeito de
curtíssimo prazo, entretanto, continuam a “ter esperança” de que
um Roberto Shiniashiki ou uma Leila Navarro consiga operar o
milagre de motivar “para sempre” seus funcionários.
1.3 Dinheiro é um forte fator motivacional
Todo mundo precisa de dinheiro e todo mundo quer mais
dinheiro. Entende-se então que oferecendo recompensas
financeiras, mantém o(s) outro(s) motivado(s). O funcionário
pode, por um breve período, sentir-se motivado a trabalhar mais,
no entanto, esta motivação é efêmera. Não só pela razão de que
ela está intrinsecamente ligada a recompensa (tire a recompensa
e você acabará com a motivação), quanto pelo fato de que a
motivação não é enérgica, entusiasta. Ela é quase artificial. O
funcionário trabalhará mais e com mais empenho para conseguir
o que ele quer – mais dinheiro. Isto não significa que ele estará
entusiasmado com o trabalho, feliz por estar realizando suas
tarefas – o objetivo da real motivação. É possível que se tenham
profissionais que estarão trabalhando com extremo mau humor,
mas que fazem de tudo para obterem a recompensa.
1.4 A motivação é o resultado da satisfação
Ligada ao mito de que deve se fazer o que se gosta para se
sentir motivado. Alguns acreditam que pessoas felizes são
pessoas motivadas. Administradores investem em um anbiente
de trabalho que gere satisfação e conforto para que seus
funcionários sintam-se motivados a executarem seus trabalhos.
Trabalhar em um ambiente desconfortável pode sim gerar
desmotivação, mas o contrário não gera motivação. Estar
contente com uma situação não é sinônimo de estar motivado. A Fran Christy
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satisfação pode gerar o efeito contrário – o comodismo. É tão
bom trabalhar naquela empresa, as estações de trabalho são tão
confortáveis, os colegas são tão agradáveis, os chefes fazem
frequentemente elogios… a pessoa sente-se tão confortável que
se acomoda – ela está feliz, mas não há motivação alguma.
Na vida pessoal ocorre a mesma coisa. Quando a pessoa
atinge um determinado ponto de onde ela não consegue mais ver
um horizonte a ser conquistado e se sente plenamente realizada
com suas conquistas, ela começa a desmotivar-se.Fran Christy
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2. A EVOLUÇÃO DO ESTUDO DA MOTIVAÇÃO
Antes da revolução industrial não havia muita preocupação
em saber o que motivava ou não uma pessoa. Nas empresas, a
ferramenta de motivação utilizada era a punição. Não havia
preocupação alguma em se oferecer algum benefício para se
obter um resultado melhor. O reforço negativo era a única opção.
No campo pessoal, não havia interesse em descobrir como
sentir-se mais motivado. Os bem-sucedidos eram geralmente
auto-motivados por seus próprios objetivos, enquanto os
fracassados não identificavam a motivação como ferramenta de
crescimento.
Os estudos pós revolução se concentravam na idéia de que
reforço positivo (incentivo/recompensas) eram as causas da
motivação. Peter Drucker, Elton Mayo e Douglas McGregor foram
os estudiosos de maior destaque nesta fase, trazendo
contribuições para a área que foram tão internalizadas pelas
empresas que acabaram gerando muito dos mitos que ainda
temos hoje, como o de que dinheiro motiva.
O Behaviorismo chamava de reforçadores de
comportamento, premiações ou punições aplicadas aos
empregados na tentativa de controlar seu comportamento e
motivá-los. Essa teoria logo foi considerada limitada, pois
considerava o homem como um organismo passivo. Boa parte
das conclusões tanto das teorias comportamentalistas, como das
reflexologistas podem ser descartadas pois suas bases foram
pesquisas feitas com animais, o homem dentro destas
perspectivas é visto como puramente instintivo, os estímulos
externos são capazes de ditar todas as suas ações. Apesar de os
estudiosos da área já terem chegado a essa conclusão há muito
tempo, muitos administradores ainda pensam em termos de
punição/recompensa quando se trata de motivação pensando ser
esta a única forma de se obter um “controle” sobre os
subordinados.Fran Christy
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A teoria das necessidades de Abraham Maslow propõe uma
pirâmide de necessidades que operam em ordem crescente e
imutável. Essa teoria diz que as pessoas procuram satisfazer
primeiro as suas necessidades fisiológicas, relacionadas à
sobrevivência do organismo. Em segundo lugar, vêm a
satisfação das necessidades de segurança, que buscam encontrar
um ambiente livre de ameaças. Logo depois, a satisfação das
necessidades sociais, relacionadas às amizades, aceitação social
e contatos torna-se importante. Após satisfeitas essas
necessidades, o indivíduo volta-se para si mesmo em busca da
auto-estima. A última necessidade seria a de auto-realização e
desenvolvimento pessoal. Essa é uma das mais populares teorias
sobre motivação, apesar das inúmeras críticas. O próprio Maslow
admitiu que existem exceções quanto à seqüência hierárquica da
pirâmide.
Nos anos 60, Frederick Herzberg avaçou nos estudos sobre
o tema identificando que os fatores que determinam a satisfação
no trabalho e servem para motivar são separados e distintos dos
fatores que levam à insatisfação no trabalho. Segundo ele,
fatores que causam insatisfação são fatores “higiênicos”, são
eles, salário, segurança, condições ambientais de trabalho,
supervisão, administração, política da companhia, etc. Estes
fatores não causam satisfação propriamente dita, mas causam
insatisfação caso não estejam de acordo com as expectativas dos
empregados. Um aumento de salário pode não servir como fator
motivador, por exemplo, mas um salário baixo certamente
causará insatisfação. A limitação na teoria de Herzberg está
justamente no fato de que funcionários satisfeitos não são
necessariamente funcionários motivados (= entusiasmados, com
vontade de realizar o trabalho). Manter funcionários satisfeitos é
apenas uma parte da tarefa de um administrador, motivá-los é
outra estória.
Nos anos 70, novas teorias começaram a chegar mais perto
do que realmente vem a ser motivação. Alderfer argumenta que
o ser humano possui 3 necessidades: exigências materiais
(físicas), relacionamentos (emocionais) e de crescimento ou
desenvolvimento pessoal (mentais/espirituais). Em contrasteFran Christy
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com a pirâmide de Maslow, Alderfer diz que mais de uma
necessidade pode estar funcionando ao mesmo tempo. Se a
gratificação de uma necessidade é reprimida, o desejo de
satisfazer uma de nível mais baixo aumenta. Por exemplo, se a
pessoa encontra problemas para suprir suas necessidades de
relacionamento, ela pode compensar aumentando a necessidade
física, comendo mais do que o necessário.
As teorias cognitivas afirmam que as pessoas conhecem
suas necessidades e a motivação nasce da vontade em satisfazê-
las. “As pessoas tomam decisões conscientes que dizem respeito
ao comportamento futuro, levando em conta sinais obtidos a
partir do seu ambiente atual.” Estas teorias consideram que as
pessoas baseiam seu grau de motivação no valor que atribuem
ao resultado que esperam alcançar com determinada ação.
Dentro deste enfoque, encontramos teorias como a da
expectância. O pesquisador do tema Victor Vroom chega a criar
uma fórmula na tentativa quantificar a motivação. Essas teorias
aceitam fatores motivadores externos como a remuneração. “As
organizações conseguem obter determinado tipo de
comportamento desde que leve às recompensas que seus
empregados valorizam. Isso ocorre, porque as pessoas têm as
suas próprias necessidades e mapas mentais daquilo que seja o
mundo.”
A teoria da equidade também está inserida nas teorias
cognitivas, segundo este modelo as pessoas confrontam seus
esforços e as recompensas que obtiveram com outras pessoas e
a motivação nasce do sentimento de justiça, quando esta
comparação reflete o que a pessoa espera, provocando um
estado de desmotivação caso sinta-se tratada de forma injusta.
Esta teoria peca ao considerar somente o binômio
motivação/desmotivação, como se tudo o que não motiva,
desmotiva. Também erra ao afirmar que todas as pessoas se
comparam umas com as outras e que o senso de justiça é o fator
decisivo para a motivação. Estudos de caso de pessoas bemsucedidas mostram que estas geralmente não se comparam com
outras pessoas, se importando unicamente com seu próprio
caminho.Fran Christy
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As teorias da motivação consciente diz que as pessoas
conhecem suas necessidades e a motivação nasce da vontade em
satisfazê-las. Afirma que as pessoas tomam decisões conscientes
que dizem respeito ao comportamento futuro, levando em conta
sinais obtidos a partir do seu ambiente atual.
Todas as teorias até aqui não obtiveram êxito ao tentar
explicar o comportamento motivacional do ser humano,
principalmente no ambiente organizacional. Umas por
considerarem-no puramente impulsivo, outras puramente
racional. Não se pode esquecer de que, antes de ser racional, o
homem é, por função da sua própria natureza, emocional. Tentar
afirmar que o homem conhece todas as suas necessidades e que
racionalmente procura satisfazê-las seria dizer que o homem
possui um alto nível de autoconhecimento, o que não é verdade.
Aliás, a falta deste constitui um dos maiores problemas do
homem, responsável pelas depressões, conflitos e decepções.
Dentre as teorias contemporâneas está a motivação
intrínseca. Depois de muito se pesquisar, especular e propor
teorias, os estudiosos da área chegaram à conclusão de que a
verdadeira motivação não está ligada aos fatores externos, mas
sim processos internos do ser humano, que nem sempre são de
seu conhecimento. Segundo Gooch e Mcdowell, “A motivação é
uma força que se encontra no interior de cada pessoa e que pode
estar ligada a um desejo. Uma pessoa não consegue jamais
motivar alguém; o que ela pode fazer é estimular a outra pessoa.
A probabilidade de que uma pessoa siga uma orientação de ação
desejável está diretamente ligada à força de um desejo.” Dentro
dessa visão da motivação, Freud contribuiu de forma decisiva
para as pesquisas na área. Muitos dos “porquês” que levam as
pessoas a agir estão enclausurados no inconsciente. A própria
pessoa não sabe o porquê de suas ações. 70% de nossas ações e
atitudes são inconscientes, não necessariamente impulsos, mas
reflexos e respostas a situações passadas e já esquecidas. De
fato, a maioria das pessoas não consegue explicar o porquê de
todas as suas ações e decisões, o que está claro é que estas
estão embasadas em algo intrínseco. Freud afirma que nem o
próprio indivíduo consegue interferir no desencadeamento do seu Fran Christy
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processo motivacional. Ele propõe que há fatos ou conteúdos
psíquicos que escapam ao conhecimento de uma pessoa, e em
grande número de ocasiões ela não conhece a origem das
pulsões que a conduzem rumo a determinado objetivo.
As teorias mais recentes admitem a individualidade de cada
um em relação à motivação. Cada indivíduo faz as coisas por um
motivo diferente e as necessidades que justificam esses motivos
mudam ao longo do tempo, sendo que algo que motiva um
indivíduo hoje, pode não motivá-lo em outro momento. Fran Christy
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3. A MOTIVAÇÃO
Nós já vimos que boa parte do que as pessoas pensam com
relação à motivação não passa de mitos. Também revisamos o
histórico do estudo do tema e porque as teorias mais antigas não
obtiveram êxito ao explicarem o que é motivação e como as
pessoas se motivam. Mas então o que é motivação? Como sentirse motivado? Como enfrentar as dificuldades do dia-a-dia com
entusiasmo?
A resposta está na própria palavra. Motivação é o MOTIVO
para a sua AÇÃO. É o porquê, a razão pela qual você faz o que
faz. A motivação é gerada por um desejo, quanto mais forte for
este desejo, mais forte será a motivação. Frases motivadoras,
palestras, livros de auto-ajuda pouco fazem para motivar uma
pessoa. Eles podem “emprestar” um senso de entusiasmo
momentâneo, mas eles não podem dar ou criar em você o desejo
de que você precisa para sentir-se verdadeiramente motivado.
Pessoas altamente motivadas são constantemente
energizadas pela imensa vontade que possuem de conquistar
aquilo que desejam. Elas sabem onde querem chegar, não
andam pela vida sem rumo esperando que uma oportunidade
qualquer bata à porta. Elas vão para o trabalho motivadas com
suas próprias metas e não com a atividade em si. Elas não se
importam em realizar tarefas desagradáveis, enfrentar desafios,
trabalhar muito além da conta sem receber por isso. Elas são
movidas por um combustível muito mais poderoso do que as
recompensas que uma empresa pode oferecer a elas.
Eu posso dizer que sempre fui uma pessoa altamente
motivada. Eu sabia onde queria chegar e o que eu fazia, sendo
trabalho profissional ou não, o que eu fazia estava sempre
carregado com o combustível da minha motivação. A força dos
meus desejos me levava a enfrentar o desafio que fosse,
trabalhar por horas além do necessário sem receber 1 centavo a Fran Christy
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mais e manter um entusiasmo que fazia com que eu me
destacasse das pessoas em volta.
Pessoas motivadas atingem resultados independente de
estímulos externos. A teoria de Herzberg (vide capítulo 2) parece
fazer muito sentido quando diz que certos fatores como salário,
administração, condições de trabalho não são motivadoras em si,
mas se não estiverem de acordo com as expectativas geram
desmotivação. Não exatamente. Pessoas que se deixam
desmotivar por estas razões não se motivam facilmente. Elas
andam no limiar entre a satisfação e a desmotivação. Elas ficam
contentes se a empresa proporciona o mínimo necessário, mas
se tornam hostis quando algum elemento não está 100%. Mas
pessoas satisfeitas não são necessariamente pessoas motivadas.
Manter funcionários satisfeitos é uma coisa, motivá-los é outra. A
pessoa que é sensível a estes elementos não é uma pessoa
motivada e certamente não será se a satisfação aumentar
(elogios de superiores, boas relações com colegas, etc).
É como se a pessoa verdadeiramente auto-motivada
vivesse numa realidade paralela. Ela segue seu rumo
independente do que ocorre em volta dela. Recompensas não a
motivam, erros e críticas não a desmotivam. Ela segue sua
bússola interna, tornando-se “insensível” para condições
ambientais de trabalho, dificuldades na vida pessoal ou
financeiras. Não é que as outras coisas são “menos importantes”
do que a concretização da meta. É uma questão de autoconfiança. A pessoa intrinsecamente motivada confia em si
mesma e em sua capacidade para conquistar o que deseja. A
força de seu desejo é forte o suficiente para que ela não se deixe
abalar por dificuldades, sejam elas de quaisquer natureza.
Os grandes exemplos da força da motivação nos mostram
que para a pessoa motivada não há obstáculos intransponíveis,
não há condições ambientais, críticas ou “puxadas de tapete”
capazes de desmotivá-las. A única coisa que pode desmotivar
uma pessoa verdadeiramente motivada é ela mesma. É a dúvida
quanto à própria capacidade ou mesmo a perda de interesse na
meta buscada. Fran Christy
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Ricardo Semler, Amyr Klink, David Mendonça, Gonçalo
Borges, Ricardo Bellino são exemplos atuais de pessoas
altamente motivadas. David Mendonça era camelô e hoje dá
palestras sobre marketing para empresários no mundo todo.
Ricardo Semler lutou contra o descrédito quando assumiu a
empresa do pai e transfomou a Semco numa empresa modelo
para o mundo dos negócios. Ricardo Bellino, aos 20 anos, levou a
maior agência de modelos do mundo para o Brasil, sem dinheiro
algum, só com negociações e muita esperteza. Amyr Klink
realizou os projetos mais impensáveis e ousados, como
atravessar o Oceano Atlântico a remo, numa travessia onde
TODOS os que tentaram antes dele morreram. Gonçalo Borges
nasceu com uma deficiência nos braços que o impossibilita de
utilizá-los de forma normal. Ele desenvolve atividades artísticas
com a boca e pés, entre outras mudanças que ele fez para que
pudesse executar as atividades de uma pessoa normal, adaptou
um carro para que ele pudesse dirigir só com as pernas. Gonçalo
dá palestras no mundo inteiro sobre motivação e superação
pessoal.
Uma busca por estas pessoas na internet lhe mostrará a
história de cada uma. Nenhuma delas esperou que a vida lhes
desse alguma oportunidade. Nenhuma delas se abalou com
críticas de desestímulos externos. Nenhuma delas desistiu frente
a dificuldades econômicas, sociais, pessoais ou familiares. Elas
conquistaram tudo graças a força de seus desejos que as
impulsionava para frente mesmo quando a maré era contrária.
Esta história é famosa. Provavelmente você já a leu na
internet ou em algum livro. Leia e reflita: E se fosse você? Você
teria desistido?Fran Christy
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Um homem investe tudo o que tem numa pequena oficina. Trabalha dia e
noite, inclusive dormindo na própria oficina. Para poder continuar nos
negócios, empenha as jóias da própria esposa.
Quando apresentou o resultado final de seu trabalho a uma grande empresa,
dizem-lhe que seu produto não atende ao padrão de qualidade exigido.
O homem desiste? Não!
Volta a escola por mais dois anos, sendo vítima da maior gozação dos seus
colegas e de alguns professores que o tachavam de “visionário”.
O homem fica chateado? Não!
Após dois anos, a empresa que o recusou finalmente fecha contrato com ele.
Durante a guerra, sua fábrica é bombardeada duas vezes, sendo que grande
parte dela é destruída.
O homem se desespera e desiste? Não!
Reconstrói sua fábrica mas, um terremoto novamente a arrasa.
Essa é a gota d’água e o homem desiste? Não!
Imediatamente após a guerra segue-se uma grande escassez de gasolina em
todo o país e este homem não pode sair de automóvel nem para comprar
comida para a família.
Ele entra em pânico e desiste? Não!
Criativo, ele adapta um pequeno motor a sua bicicleta e sai as ruas. Os
vizinhos ficam maravilhados e todos querem também as chamadas
“bicicletas motorizadas”. A demanda por motores aumenta muito e logo ele
fica sem mercadoria. Decide então montar uma fábrica para essa novíssima
invenção. Como não tem capital, resolve pedir ajuda para mais de quinze mil
lojas espalhadas pelo país. Como a idéia é boa, consegue apoio de mais ou
menos cinco mil lojas, que lhe adiantam o capital necessário para a indústria.
Encurtando a história: hoje a Honda Corporation é um dos maiores impérios
da indústria automobilística japonesa, conhecida e respeitada no mundo
inteiro. Tudo porque o Sr. Soichiro Honda, seu fundador, não se deixou
abater pelos terríveis obstáculos que encontrou pela frente.
Portanto, se você adquiriu a mania de viver reclamando, pare com isso! O
que sabemos é uma gota d’água. O que ignoramos é um oceano.
Lembre-se, nosso dia não se acaba ao anoitecer e sim começa sempre
amanhã, não se desanime, vamos acordar todo dia como se tivéssemos
descobrindo um mundo novo.Fran Christy
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Sabendo de tudo isso, a resposta para a comum pergunta
“como sentir-se motivado frente às dificuldades da vida
moderna?” fica clara, não fica? A motivação independe de fatores
externos. Quem se deixa abalar pelas dificuldades da vida,
precisa mudar a si mesmo antes de buscar sentir-se motivado,
do contrário a motivação será sempre passageira – quando se
está tudo bem, a pessoa se sente motivada, mas frente a
primeira dificuldade ela sucumbe.
Não há uma fórmula para “sentir-se motivado”. A
motivação não é uma pílula que se toma e quando faz efeito você
tem uma experiência de entusiamo e alta energia. Não há guru
motivacional que vá “curá-lo” da sua desmotivação. Há pessoas
que lêem diariamente pela manhã uma frase motivacional na
esperança de que a mensagem da frase faça com que elas se
sintam mais motivadas durante o dia. Livros motivacionais
também não fazem milagre. Aliás, nada faz milagre. Se você está
esperando por um, mude sua forma de ver o assunto antes que
seja tarde demais!
O único caminho para a verdadeira auto-motivação é
encontrar o(s) desejo(s) que “acendem a sua chama”. Quando
você quiser algo “mais do que tudo”, não haverá a necessidade
de paliativos, de frases motivadoras, de dicas de gurus ou de
livros, você será movido pela necessidade íntima de conquistar o
que deseja.Fran Christy
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4. MOTIVAÇÃO NAS EMPRESAS
Quando estava na faculdade trabalhei numa organização
sem fins lucrativos que pela estrutura organizacional me
permitiria trabalhar em vários departamentos, além da
oportunidade de lecionar. Por muito tempo trabalhei como
voluntária, sem receber 1 centavo sequer. Eu precisaria ir de
uma a duas vezes por semana nas horas que eu quisesse. Eu ía
todo dia, chegava às 7 da manhã e só saía na hora de ir para a
faculdade. Quando fui contratada, meu salário era muito abaixo
da média para a mesma função, mas a empresa por ser sem fins
lucrativos não podia me pagar mais. Nunca reclamei. Eu não
estava lá por dinheiro.
Meu chefe me chamou um dia e pediu para que eu
preparasse um programa motivacional para o pessoal, pois ele
gostaria que os outros funcionários tivessem o mesmo nível de
motivação que eu tinha. Eu não tinha idéia do que fazer. Minhas
metas estavam alinhadas com as metas da empresa e eu lutava
para alcancá-las com a mesma energia e entusiasmo que eu
lutava pelas minhas. Mas como eu poderia fazer com que os
outros funcionários se motivassem pelos mesmos motivos que
eu? Eu resolvi montar uma dinâmica em grupo em que cada um
estabelecia suas metas pessoais e a partir daí definiam como a
empresa podia ajudá-los a conquistá-las. Como o trabalho no
dia-a-dia podia ser importante para o alcance das próprias
metas.
O principal problema que encontrei, no entanto, foi que a
maioria dos funcionários não sabia ao certo o que queria
alcançar. As metas acabavam sendo amplas demais como
“adquirir uma estabilidade financeira”, “ser promovido a
gerente”, ou mesmo simplesmente “crescer profissionalmente”.
Estas metas não eram motivadoras, eram intenções comuns.
Todo mundo quer ter mais estabilidade financeira, todo mundo
que está no mercado de trabalho quer crescer profissionalmente.
Estas não são especificamente metas. Comecei a trabalhar
individulamente com cada funcionário para que desenvolvessem Fran Christy
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lentamente suas metas. Alguns desistiram. Disseram que “só
queriam mesmo era serem felizes” ou “o que Deus me der está
bom”. Outros progrediram muito lentamente se deixando abalar
por quaisquer mudanças externas, família, chefe, colegas,
dinheiro, tudo era motivo para desanimarem. Outros ainda
mudavam de metas constantemente, não conseguiam se dedicir
para qual direção seguir. Uns poucos conseguiram definir suas
metas, alinhar com os objetivos da empresa e aos poucos, de
fato, começaram a se sobressair e a crescer dentro da empresa.
Um deles é o atual CEO. Outro foi contratado recentemente por
uma grande ONG na Inglaterra.
A tarefa de “motivar” funcionários é…penosa. Não encontrei
outra palavra. O estudo da motivação não pode ser encarado de
forma simplista. Os fatores que interferem no processo
motivacional do ser humano não podem de forma alguma ser
generalizados. Cada um tem uma história de vida, experiências,
carências e objetivos únicos e suas motivações decorrem da
singular combinação desses ingredientes. Como foi explicado ao
longo de todo este texto, as pessoas não são motivadas umas
pelas outras, elas se auto-motivam quando encontram algo que
querem muito e desejam conquistar. Então como motivar
funcionários?
As técnicas geralmente utilizadas para motivar funcionários
são, em sua grande maioria, ineficazes. O efeito de uma palestra
empolada é igual a fogo de palha, queima rápido e forte, mas
logo vira cinza. Depois que a chama da palestra se extingue, os
funcionários tem que lidar novamente com a realidade. E quem
não sabe lidar proativamente com a realidade, se desmotiva
facilmente.
Oferecer recompensas ou incentivos pode ter um efeito
também muito breve e chega até a ser “corruptível”. Alguns
funcionários podem pensar: “eu odeio esta empresa, odeio meu
chefe, mas vou dar o máximo de mim porque eu quero a
recompensa.” Ou até infiltrar na cultura da empresa a idéia de
que os funcionários estão sendo “comprados” com recompensas.
Numa cultura sadia, os funcionários sentem orgulho da empresa Fran Christy
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e realizam o seu trabalho porque apreciam a forma como a
empresa opera e trata seus funcionários, eles não precisam de
recompensas.
Qual a solução então para se ter funcionários mais
motivados? Minha dica: desista da motivação! Quaisquer que
sejam as atitudes adotadas, elas simplesmente funcionarão como
paliativos. O objetivo das empresas ao quererem que seus
funcionários se sintam mais motivados é para aumentar a
produtividade. As empresas não estão genuínamente
preocupadas com o estado motivacional de seus empregados,
eles querem é que estes produzam mais para que elas façam
mais dinheiro e pessoas felizes e satisfeitas produzem mais.
Tentar motivar os funcionários, como eu já disse, só
funcionará como um band-aid. Você pode estar se perguntando
então, e se criássemos um programa de definição de metas como
você criou? Leia o meu relato novamente. A grande maioria dos
funcionários não chegou a definir meta alguma, eles nem sabiam
o que queriam ou não queriam saber. Os funcionários com
atitudes vencedoras encontrarão por si seu próprio caminho e
cuidarão da própria auto-motivação. O resto oscilará entre
motivação passageira e desmotivação pro resto da vida (ou até
resolverem mudar a própria atitude).
Se o problema então é aumentar a produtividade, a solução
é outra. “Uma centena de indivíduos apenas motivados não move
montanhas. Centenas de pessoas organizadas, com planos,
conhecimentos técnicos e funções definidas, equipadas com
tratores, explosivos, enxadas, picaretas, pás e tempo necessário
darão conta do recado, mesmo que muitos, ao acordar, prefiram
estar se bronzeando na praia a remover montanhas.” Diz Eugen
E. Pfister Jr. Não haverá nunca uma empresa onde todos os
funcionários são constantemente auto-motivados. Mas a empresa
não precisa de indivíduos motivados, ela precisa que todos
saibam exatamente o que fazer, encontrem um ambiente
propício ao trabalho, tenham as ferramentas necessárias e sejam
tratados como seres humanos.Fran Christy
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Há pessoas que jamais serão auto-motivadas. Elas
preferem ser apenas coadjuvantes da vida, nunca agindo
ativamente em nada. As organizações estão abarrotadas destes
indivíduos. Eles se prendem aos seus empregos, fazem o que
mandam elas fazerem, não perguntam, não questionam, só
executam. Satisfeitas ou não com sua condição, elas são assim e
dificilmente mudarão. Não há programa motivacional que tenha
efeito sobre estas pessoas.
A opção é uma administração límpida onde todos entendem
onde a empresa deseja chegar (quem não tem metas pessoais
pode adotar as metas da empresa com muito prazer!), as regras
do jogo são claras e os superiores são líderes que “inspiram” e
não chefes que só cobram. Para a grande maioria das pessoas,
as que não se auto-motivam nunca, inspirar-se no líder da
equipe é um fator que aumenta a produtividade. Pessoas que
têm orgulho do que fazem, da empresa em que trabalham e
reconhecem a liderança como merecedora de respeito produzem
mais (mesmo que seu desejo fosse estar pescando ou fazendo
compras ao invés de trabalhar). À medida que a empresa vai
atingindo resultados, os funcionários vão sentindo que seu
trabalho trouxe frutos positivos e passam a trabalhar com mais
empenho (não necessariamente motivados!). Todo mundo gosta
de ver resultados, principalmente quando sabem que tiveram
alguma infuência nele.
Algumas pessoas ficam surpresas quando revelo este ponto
de vista e digo para pararem de tentar motivar seus funcionários.
Esta é a realidade, entretanto. Motivação é para os vencedores e
infelizmente a maioria dos seres humanos que caminham pela
face da Terra são perdedores. Não porque falta-lhes sorte, não
porque Deus não quer, não porque as condições de vida são
difíceis, mas simplesmente porque eles mantêm uma atitude de
perdedor, não sabem o que querem da vida e não lutam por
nada. É impossível motivar estas pessoas. 21
SOBRE A AUTORA
Fran Christy é formada em Administração de Empresas com
especialização em Marketing e Planejamento Estratégico. Desde a fase
acadêmica atua como palestrante e consultora em desenvolvimento
pessoal e planejamento de vida, já tendo realizado diversos cursos,
palestras e workshops sobre a técnica que criou de planejamento
pessoal (PEP). Autora dos livros “Planejamento Estratégico Pessoal”,
“Manual de Definição de Metas” e “Manual de Administração do
Tempo”. Christy vive com a família em Seattle, EUA.
SONHOS ESTRATÉGICOS
O projeto Sonhos Estratégicos, iniciado em 2006, dá continuidade às
atividades anteriormente desenvolvidas pela equipe PEP (2001 –
2005). Este projeto estuda e desenvolve técnicas e métodos de
desenvolvimento pessoal e planejamento de vida. Os primeiros frutos
deste trabalho serão distribuídos gratuitamente em formato de ebooks. Visite-nos online em http://www.sonhosestrategicos.com e cadastrese em nossa Newsletter para receber informações atualizadas sobre
este projeto.
© Copyright – 2006 – Sonhos Estratégicos™
O conteúdo deste e-book é protegido por leis de direitos autorais. Os
textos podem ser impressos, enviados via email, utilizados como
referência em trabalhos acadêmicos, palestras, treinamentos, cursos,
etc, desde que citada a autora. Se você deseja publicar nossos textos
em seu site, entre em contato conosco.
CONTATO
contato@sonhosestrategicos.com / http://www.sonhosestrategicos.com

FONTE: http://www.secth.com.br/imagens/editor/e-book/os_segredos_da_motivacao.pdf

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Sobre César.

Liberdade é o direito de fazer tudo o que a lei permite. Montesquieu

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