Do G1 SP Kleber Tomaz
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio Borges D´Urso, repudiou na manhã desta sexta-feira (10) as declarações do advogado Jeferson Badan, que, na noite anterior, falou à imprensa que “todo bandido tem ética” e “em todas as profissões têm ética”. As frases foram ditas pelo defensor para justificar o motivo pelo qual o seu cliente, que confessou participação no assassinato do estudante da USP, Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, em 18 de maio, não iria entregar o comparsa, que teria atirado na vítima.

D´Urso classificou as frases de Badan como “infelizes” e afirmou que elas envergonham “toda a classe de advogados” porque comparou profissões com atividades criminosas. O caso sera levado à discussão na diretoria da OAB, que irá analisar se o advogado será advertido pelo que disse.

As declarações de Badan ocorreram durante entrevista coletiva à imprensa na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na capital paulista, na noite de quinta-feira (9). Seu cliente, o comerciante Irlan Gracino Santiago, de 22 anos, tinha se apresentado à Polícia Civil e confessado participação no assassinato do aluno da USP, morto com um tiro na cabeça após reagir a uma tentativa de assalto no estacionamento da Faculdade de Econômia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo. Santiago e um comparsa queriam roubar o carro da vítima, que não foi levado.

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Santiago foi indiciado pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte) e liberado. Pela lei, ele pode responder ao processo em liberdade porque se apresentou espontaneamente, confessou o crime, não possui antecedentes criminais e tem residência fixa. O DHPP deverá pedir a prisão preventiva de Santiago após a conclusão do inquérito.

“Todo bandido tem ética. Vocé [reporter] é um cara experiente na area criminal e eu sei que você está fazendo essa pergunta simplesmente por fazer. Você sabe que em todas as profissões têm ética. Na sua profissão, se tiver um reporter na sua frente, a ética dele é dar espaço para você trabalhar”, havia dito o advogado Badan na quinta durante a entrevista com jornalistas. “Caguetas só tem um final: ou morrem fora ou dentro das cadeias”.

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Segundo o presidente da OAB-SP, essas declarações foram infelizes.
“Essas frases recebem a nossa repulsa. Foi uma manifestação absolutamente infeliz ao estabelecer comparativo entre profissões honradas e dignas, que têm a ética, comparando-as com atividade criminosa, que não é profissão. É uma manifestação de violência à lei e ao próximo. Há uma confusão de princípios ao dizer que bandido é profissão. Ética é antagonismo do crime. Ética cultua valores do bem, da honestidade, da conduta correta. Um criminoso ao infringir a lei e provocar morte não tem nada a ver com ética. Não é nem comportamento antiético e comportamento criminoso”, disse D´Urso.

Ainda segundo o presidente da OAB-SP, o fato de o homem que confessou participação no crime do aluno da USP não querer revelar quem foi seu comparsa não pode ser confundido com ética. “Tem a ver com sentido de proteção ao comparsa”, disse D´Urso.

Segundo D´Urso, o caso será analisado pela diretoria da OAB-SP na reunião da próxima segunda-feira (13). “É uma manifestação infeliz e confusa”, explicou.

Apesar disso, o caso não será levado ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-SP. “É uma declaração que envergonha toda a classe de advogados, mas não fere nosso código de ética”, justificou.

Pedido de desculpas
Procurado para comentar o assunto, o advogado Badan pediu desculpas na manhã desta sexta pelas declarações que fez durante entrevista coletiva concedida de quinta no DHPP.

“Falei frases infelizes e fui mal interpretado. Peço desculpas à família da vítima pelo que disse e a todos que se sentiram ofendidos. Na verdade eu quis dizer que todo bandido tem regras e não ética. Também quero esclarecer que bandido não é profissão. Bandido é bandido”, disse o advogado Badan, por telefone ao G1.

O crime
Segundo o advogado Badan, seu cliente e o outro criminoso escolheram a USP para roubar um carro no dia 18 de maio porque o filho de Santiago estaria passando por necessidades e porque lá tem pouca segurança e é escuro.
Ao chegar a USP, dupla teria atacado uma motorista do Ecosport prata. Ao perceber que ela tinha deficiência física, os criminosos desistiram de levar seu veículo e a obrigaram a dirigir por uma hora até encontrarem outra vítima.

Viram Paiva entrar no Passat blindado. Na versão de Santiago, a motorista ficou no carro com ele enquanto outro ladrão atacava estudante. Ao perceber o roubo, Paiva reagiu e deu socos no rosto do criminoso, que teria atirado. “Ele morreu porque foi para cima do meu parceiro e deu dois socos na cara dele. Ele ia tomar a arma e matar nós dois”, disse Santiago aos jornalistas.

O autor dos disparos teria voltado ao Ecosport e a motorista levou os dois para fora da USP. A mulher não foi localizada pelo DHPP para contar o crime.

Homem confessa crime e sorri
Pai do estudante morto na USP, o projetista Ocimar Paiva, de 52 anos, demonstrou revolta na quinta ao saber que Irlan, que confessou ter participado da morte de seu filho, não vai ficar preso por ter se apresentado espontaneamente à polícia. “Eu não perdoo, porque meu filho estava muito feliz, tinha sonhos, planos e foi executado”, disse.

Santiago falou aos jornalistas que não fugirá após a confissão. Ele também disse estar arrependido e que foi seu primeiro crime. “Pode falar para a família dele [do estudante] que estou arrependido. Tanto que estou aqui. Se é para pegar, vou pagar. Vou comparecer a toda intimação . Quero dizer para o meu filho que eu amo ele”, disse Irlan, que deixou o DHPP sorrindo.

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Sobre César.

Liberdade é o direito de fazer tudo o que a lei permite. Montesquieu

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  1. Eduardo Lester Lerner disse:

    É preciso fiscalizar certas faculdades de Direito que formam advogados do tipo desse ai, é uma vergonha que isto ocorra no Brasil

    • César. disse:

      Disse pouco, mas falou tudo Eduardo! Está uma vergonha, as Instituições que estão, formando Bacháreis em Direito em nosso País. É uma fábrica de diplomas, e zero de aprendizagem, falta fiscalização, acrédito que, se fiscalizar de verdade, fecha-se mais de 40% dessas Instituições, todas estão em plena fábrica de diplomas, a todo vapor kkkk. Abraços

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