LIÇÕES DE ORATÓRIA

1 – INTRODUÇÃO
A expressão verbal é um instrumento de trabalho de quem pretende se comunicar com o público, mas a comunicação moderna é ampla e não apenas verbal. Portanto, embora seja mais adequado o uso do vocábulo comunicação, no sentido mais aberto, ao invés de oratória, que é restritivo, prevalece a tradição do uso da expressão oratória que, na verdade, significa uma forma de comunicação mais enfática, mais eloquente.

Em várias situações, o ato de expressar-se em público não é apenas uma oportunidade, e sim uma necessidade. O conferencista, o professor, o líder, o advogado, o debatedor, etc, são apenas alguns exemplos. Dezenas de outras atividades também exigem o uso desse potencial humano.

Silenciosamente, mas a passos largos, cada vez mais a comunicação toma espaço no cenário da valorização profissional. E, interessante, nem sempre se usa apenas a expressão oral. O magnetismo do gestual e a força da expressividade facial complementam o poder da voz.

Atualmente, estão disponíveis inúmeros e modernos itens de suporte para facilitar a apresentação de uma tese ou matéria, como o uso de slides, filmes, fotos, cartazes, entre outros. Claro que, de uma forma ou de outra, todos eles funcionam.

Mas para utilizar, ou até deixar de usar quaisquer destes recursos acessórios, é preciso que o comunicador domine a técnica e defina, com clareza, os resultados que pretende alcançar.

É importante observar que, em cada uma das tantas situações em que o orador se apresentar, haverá a exigência de um tipo diferenciado de voz, uma postura adequada e uma forma própria de conduzir o interesse da platéia.

O conferencista leva um tipo de conhecimento aos ouvintes, porém não tem o objetivo de convencer o seu auditório de que as suas assertivas são absolutamente certas e inequívocas. Apenas lança o seu ponto de vista sobre um determinado tema.

Por isso suas colocações deverão ser calcadas em informações culturais, científicas ou técnicas, embasadas em considerações e premissas notoriamente corretas para, então, oportunizar uma conclusão aceitável.

O professor não apenas lança seu ponto de vista sobre um tema, mas pretende que os seus alunos absorvam os seus enunciados como fundamentos e, com esta base, possam criar e fomentar suas pesquisas para formar suas convicções.

Como escopo deste objetivo, o professor usa e abusa do seu conhecimento e do de outras autoridades para fomentar as suas afirmações e instiga os seus alunos a conhecer as vertentes favoráveis e desfavoráveis de cada doutrina como instrumento do aprendizado.

O líder, que engloba as atividades de advogados e políticos, dentre outras, não pode se restringir a apenas uma das várias formas de comunicação. Deve adotar técnicas que tendam a produzir efeitos fortes, que atinjam vários segmentos sociais, porque, quase sempre, dirige-se a uma massa heterogênea.

Sua meta é convencer a todos que a cadeia de seu raciocínio é única e verdadeira e que cada um dos seus ouvintes deverá absorver e adotar a verdade expressada pela sua oração.

Isso porque nesse caso, não há espaço para a dúvida e muito menos para uma segunda opinião. A missão do líder é convencer e, para tanto, tem de se valer de argumentos, de jogo de situações e comparações.

Nestes casos, não raro, deve ser agressivo e especialmente incisivo.

Já o debatedor tem a função de fazer colocações de sua opinião ou dúvida sobre aquelas já manifestadas pelo conferencista.

Sua postura, além de respeitosa, deve ser objetiva, questionadora, mas não pode deixar de oferecer alternativa ou rumos novos para o entendimento ou absorção da abordagem principal.

Portanto, como visto, importa observar que a oratória é uma ciência que cria um diferencial de valor e resultado em qualquer atividade profissional e não deve ser vista apenas como uma ferramenta útil. Mas, no mundo atual, fortemente competitivo, deve ser absorvida como um conhecimento absolutamente necessário.

2 – TIPOS DE COMUNICAÇÃO EM PÚBLICO
As várias formas de comunicação em público exigem um adequado preparo genérico do orador, já que em algumas circunstâncias pode ser necessária sua manifestação de absoluto improviso.

Em outras, apenas a leitura do discurso pronto – o mais comum. É que, em se tratando de palestra ou aula, seja possível elaborar um planejamento viabilizando uma boa apresentação, com grande parcela de improvisação, mas com auxílio de uma estrutura e/ou roteiro propositalmente arranjado.

Quando a situação assim o exigir o orador deve estar preparado para falar em público de improviso e, para tanto, como é natural, deve ter a estrutura básica destas manifestações já gravadas na sua memória e assimiladas naturalmente.

É aconselhável o treinamento de situações de emergência para que o orador, instintivamente, possa fazer alterações e adequações aos discursos já proferidos em outras ocasiões e consiga superar o estigma da pressão e o medo do desconhecido.

Os discursos lidos são aqueles que correm o maior risco de serem pouco ou nada assimilados pelos ouvintes, visto que dificilmente conseguem levantar o entusiasmo do auditório. Estes merecem um exame mais detalhado, que abordaremos nas observações sob este título, além do que, até pela sua natureza, exigem melhor preparação visual, gestual e vocal.

Os demais discursos são mais usuais e as preparações mais uniformes, embora sejam exatamente destes que o auditório espera maior eficiência e ênfase do orador.

No geral, o primeiro passo para se expressar em público deve ser o cuidado de elaborar oplanejamento cuidadoso de como será processada aabertura e de como serão conduzidas as travessiasde cada estágio do discurso. Depois da abertura vêm os estágios interdependentes que são a introdução, o desenvolvimento, a conclusão e o encerramento.

Estes são os pilares da comunicação em público.

3 – O PLANEJAMENTO
3.1 – CUIDADOS DE PLANEJAMENTO
Antes de cuidar dos detalhes da comunicação propriamente dita, são necessários alguns cuidados de planejamento. Mas estes não são apenas atos específicos de ajuda para o orador na hora de manifestar-se em público. É mais do que isso porque tratam da criação das condições físicas e psicológicas mínimas capazes de tornar realidade uma comunicação satisfatória; de tornar seguro o orador e fazer refletir este sentimento como resposta da platéia.
Para tanto é preciso construir uma base sólida, capaz de viabilizar uma boa comunicação em qualquer momento, em qualquer estado de espírito e em qualquer circunstância, independentemente do estado de ânimo e do humor do orador.

A insegurança é a melhor inimiga do orador.

A consequência natural da insegurança é a voz perdendo a consistência, falhando e desafinando, até desaparecer. Em muitos casos a respiração pode tornar-se incontrolável deixando o orador ofegante. Os mais despreparados sentem um vazio no estômago; as pernas fraquejam; um suor frio lhes invade o corpo, enquanto as mãos, desobedientes, ficam trêmulas e desacomodadas. Mas tudo isso pode ser facilmente evitado.

Saliente-se que a insegurança desaparece por completo depois que a técnica e a preparação superam o medo do ridículo, a vergonha de se expor perante uma platéia e o receio de que as palavras e argumentos expendidos possam parecer inconsistentes e até incompreensíveis para os ouvintes.

É certo que alguns oradores apenas procuram fazer um exercício respiratório e adotam algumas medidas de relaxamento. Na maioria das vezes vencem os longos – muito longos – três primeiros minutos de palestra e fazem uma bela apresentação. Outros, menos bafejados pela sorte, são dominados pelo desespero e nenhum exercício consegue lhes trazer a calma e o controle da situação.

Assim, claro, é melhor não arriscar. Vale a pena perder algum tempo compreparações física, tática e psicológica, podendo adentrar ao púlpito com coragem, confiança e alegria, desde o princípio, sem sofrimento e sem a angústia do ato de começar.

As preparações física e tática são absolutamente simples. No capítulo dos exercícios será possível absorver técnicas que resolvem definitivamente estes desafios. Contudo, a preparação psicológica depende da força de vontade do orador; de uma boa dose de coragem para começar e, sem qualquer dúvida, de uma disposição férrea para reaprender a ler, redescobrir a amplitude dos sentidos e mergulhar nas cores da vida emocional.

3.2 – ESTRUTURA DA ORAÇÃO
Muitos oradores, depois que adquirem segurança suficiente, podem ignorar qualquer planejamento ou estrutura porque já os têm esboçado no inconsciente e toda a técnica de comunicação se desenvolve de forma automática e sem qualquer vacilação.

Mas como estamos tratando de situações diferentes, nas quais nem sempre os oradores têm o domínio integral do seu público, é importante observar algumas regras que podem facilitar a condução de uma comunicação em público.

A correta divisão esquemática de uma palestra permite que o orador não se perca no emaranhado de informações e possa seguir adiante sem pular qualquer estágio ou parte de sua apresentação.

É muito útil elaborar um roteiro, estrutura ou esqueleto da palestra, de forma que as informações possam ser repassadas sem repetições e dentro de determinado sequenciamento para melhor entendimento e aproveitamento da platéia.

É certo que cada tipo de apresentação exige uma estrutura própria e, inevitavelmente, haverá de conter um princípio, um meio e um fim.

O princípio, síntese do tema, poderá ser rapidamente abordado na introdução, até como forma de despertar o interesse e destacar os mais importantes aspectos dos temas que serão abordados.

O meio, que poderá ser estendido infinitamente e que é o núcleo da palestra, merece um detalhamento meticuloso, com todas as variáveis necessárias, devidamente ligadas entre si, dentro de um contexto lógico.

O fim, que se resume na manifestação de conclusão ou essência da mensagem do orador, deve retratar um resumo dos pontos cruciais da apresentação e concluir destacando, finalmente, o ponto de vista defendido pelo orador.

3.3 – GRAU DE FORMALIDADE
Já na fase de planejamento, o orador deverá definir em que grau de formalidade ou de informalidade irá conduzir sua apresentação.

É natural que, em cada situação, o grau de formalidade deva ser observado. Em se tratando de uma saudação a novos bacharéis de direito, por exemplo, não se deverá optar por uma apresentação simples e de linguagem coloquial.
A solenidade do evento e o público ao qual se dirige a apresentação é que definirá os contornos da linguagem, da gesticulação, do tom de voz, etc.

Por outro lado, quando se tratar de aula, de palestra para interessados em um determinado tema, ou de debate sobre uma matéria de interesse geral, a informalidade deverá ser observada. O motivo: nesses casos, pretende-se atingir um público de conhecimento mais aberto e simples e não uma casta de intelectuais.

Assim, muitas definições dos padrões a serem utilizados podem ser estabelecidas já na fase de planejamento, deixando menos detalhes para a fase de preparação.

A essência do discurso vai depender do exame de cada situação concreta e o grau de formalidade terá de ser definido antes do primeiro traço no projeto de uma manifestação pública ou mesmo reservada, por mais simples que seja.

3.4 – POSTURA E GESTICULAÇÃO
Deve-se aplicar a gesticulação também de acordo com o tema a ser desenvolvido em sintonia com a espécie de apresentação e o público-alvo, sem perder a absoluta harmonia entre as palavras, o tipo e o tom de voz.

Portanto, os gestos e a postura não são instrumentos que se podem adotar a qualquer momento como simples sofisticação da apresentação. Devem ser planejados e inseridos no momento certo, sem afetação e com absoluta simplicidade.

Nada é mais difícil que ouvir um discurso proferido em forma de leitura ou decorado, sem ênfase na voz, sem os gestos que complementam a comunicação, sem o colorido do semblante que acompanha o foco da oração e sem vislumbrar um mínimo de brilho nos olhos do conferencista.

Certo é que a postura, a ênfase e os gestos são fundamentais para o resultado de uma boa apresentação e comunicação em público.

Mas não são somente os detalhes técnicos do tema e da locução que pesam na preparação. É importante observar inclusive os detalhes paralelos. Informar-se se a apresentação será em um parlatório, em local destacado na mesa das autoridades e do auditório, portanto de pé, ou se a apresentação será na mesa, com mais pessoas, e assentado.

Naturalmente até a roupa que o orador vai usar no momento de sua apresentação deve ser avaliada se realmente está apropriada e em sintonia com o grau de formalidade do evento.

3.5 – Controle da seqüência da palestra
Alguns oradores preferem utilizar fichas numeradas, com os títulos e os destaques de cada fase da apresentação. Outros utilizam notebooks e outros aparelhos similares que alertam o orador sobre cada um dos temas, subtemas, derivações e observações úteis, dentro da seqüência desejada, pois de nada adiantará uma exposição que não guarde sintonia com a ordem da exposição dos fatos e dos argumentos de cada tese.

Em muitos casos, principalmente naqueles em que a matéria é complexa e exige o entendimento dos reflexos de atos ou fatos em outros, ou cujo fluxo deva ser apresentado de forma rígida ou técnica, o ideal é utilizar diagramas, fluxogramas ouslides que permitam a perfeita compreensão do alcance do tema abordado.

É comum também a utilização de filmes e fotos quando o assunto envolver a necessidade de conhecimento de situações, fatos ou imagens.

Uma palestra a respeito dos efeitos nefastos que as queimadas produzem no meio ambiente terá pouca chance de sucesso se estiver desprovida de filmes e fotos que emprestem uma noção visual aos acontecimentos. São importantes também quando se tratar de projetos arquitetônicos ou de peças publicitárias.

Portanto os acessórios da palestra, quaisquer que sejam, devem ser planejados com antecedência para que se encaixem no contexto do assunto e sirvam para aclarar dúvidas ou demonstrar as pretensões do orador.

3.6 – CONCLUSÃO E ENCERRAMENTO DA APRESENTAÇÃO
A sintonia na seqüência da apresentação tem importância maior quando o orador tiver de oferecer a sua conclusão e encerrar o trabalho.

O planejamento deverá dedicar destaque especial à conclusão e às razões do convencimento do apresentador, sob pena de resultar pouco ou nada produtiva toda a palestra.

Não se pode menosprezar a importância da conclusão. Afinal, todo o discurso, os argumentos expendidos, as informações prestadas e os acessórios utilizados para convencer a platéia terão de ser absorvidos e sintetizados em um pequeno e final momento da apresentação.

A conclusão é o momento crucial. Deve, portanto, ser clara, sintética e definitiva. Ninguém se dispõe a fazer um discurso para, ao final, dizer que não sabe o que fazer ou que está em dúvida.

As palestras, na maioria dos casos, têm como funções determinantes marcar posições, orientar ou convencer. Salvo raras exceções, quando se trata de palestras científicas em que o objetivo central é exatamente levantar questionamentos.

Portanto, sem qualquer dúvida, a tarefa de expressar a conclusão é complexa e deve ser exaustivamente planejada.

O encerramento, que é a fase mais simples e fácil, acontece depois das últimas palavras da conclusão.

4 – A Preparação
Os atos preparatórios de embasamento da arte de comunicar em público não guardam qualquer complexidade e não têm contra-indicações. Isso quer dizer que qualquer pessoa que se expresse por palavras terá condições de manifestar-se em público, proferir palestras ou discursar.

Neste trabalho tivemos o cuidado de separar, apenas para efeito do aprendizado da preparação, as várias situações de uma comunicação em público.

Um empresário poderá ter a necessidade de dirigir uma reunião de executivos, cuja meta seja uma ampla discussão relativa a determinada matéria de interesse comercial. Neste caso, certamente sua apresentação terá forma e dimensão diferenciadas daquela de um palestrante que pretende apresentar uma tese científica, e ambas serão diferentes do discurso de um deputado pedindo votos ou defendendo uma bandeira de seu partido, ou ainda, de um advogado defendendo seu cliente perante um júri.

Por isso, sem questionamento, deve sempre haver uma preparação que possa dar base física e psicológica para que o orador realize empreitadas diferentes, sem pensar que todas elas são iguais e que os requisitos de uma situação serão válidos para aplicação em outra.

Os gestos e os tons de voz são imprescindíveis para enfatizar e dar sentido a uma locução. Um palestrante inerte e de voz uniforme não contagia seus ouvintes, apenas noticia fatos e idéias.

Quando se tratar de uma apresentação técnica, a utilização de grandes alterações de voz e gesticulação acentuada não é necessária porque a apresentação não se destina a entusiasmar ninguém, apenas quer levar informações aos ouvintes.

Por outro lado é absolutamente certo que o orador deve manter o seu semblante em sintonia com o foco imediato da oração. Isso quer dizer que não se pode falar sobre morte e miséria com um sorriso nos lábios; da mesma forma, deve-se manter um semblante calmo e sereno quando a oração mencionar realização e paz. Já quando se pretende ressaltar uma afirmação, o rosto deve expressar estado de seriedade e convicção, as mãos também devem sinalizar este propósito e a voz manter-se pausada, porém mais grave e volumosa.

Nada é difícil, pois estas reações são naturais. Contudo, quase sempre, o orador despreparado se embaraça devido ao medo e se perde da harmonia, sorrindo quando não devia, gesticulando sem nexo, olhando para o infinito, para a parede do lado ou para baixo, e pior, engasgando quando deveria mostrar firmeza e destemor. Tudo errado.

Os gestos, a expressão facial, a voz irada ou até o silêncio e o olhar penetrante, desde que em momentos apropriados, são determinantes para definir o sucesso de uma apresentação, porém executados aleatoriamente, determinarão o seu fracasso.

A preparação consiste apenas no treino da concentração no foco momentâneo da oração, despojando-se o orador de qualquer preocupação ou pensamento externo. É o ato supremo de dar vida ao corpo, à alma e à palavra, enfim.

Mas, como realizar esta proeza? Como conseguir esta força? Como se abandonar ao embalo de uma oração?

É simples: exercitando, treinando, ensaiando e representando, tal qual o nadador, o lutador, o cantor ou o ator.

Tudo é assim, é pela repetição e pelo exercício contínuo que perdemos o medo, flexibilizamos nossa musculatura facial, coordenamos nossa harmonia gestual, adquirimos expressão corporal, fortalecemos a voz, controlamos nossos sentimentos e, o melhor, nos cobrimos de autoconfiança.

Portanto como preparação-base, veja e reveja, pratique e repita várias vezes, todos os exercícios recomendados no capítulo de exercícios. Não adianta se concentrar apenas em um ou outro exercício que possa parecer mais fácil e apropriado, abandonando qualquer um dos outros. É o conjunto, funcionando sincronizado, que faz a diferença.

Lembre-se: a fragilidade de apenas um elo da corrente a tornará imprestável por inteiro.

5 – ABERTURA DO DISCURSO
A abertura será sempre a forma de cumprimentar os ouvintes e de se auto-apresentar – quando esta apresentação não ocorrer por intermédio de outra pessoa.

Muitos utilizam apenas as expressões: “Senhoras e Senhores”; “Meus Colegas”; “Eméritos Julgadores”; “Ilustre Auditório” ou “Caros Ouvintes”.

Outros preferem fazê-lo de forma mais sofisticada, citando nomes ou qualidade de um ou de alguns dos presentes e depois estendem o cumprimento aos demais.

A forma não importa. O fundamental é que o cumprimento possa fluir simples, sem forçar e de forma a parecer o mais sincero possível.

Às vezes, dependendo das circunstâncias, pode ser apenas um bom dia ou boa noite, portanto, absolutamente informal.

O cumprimento não pode ser muito frio nem muito aquecido para a situação. Deve apenas ser compatível com a espécie de atuação pretendida.

O orador-conferencista deve ser mais frio, pois não pretende induzir ninguém, apenas pretende apresentar um conceito.

O orador-professor, um misto de conferencista e orador, busca convencer e expor fundamentos, portanto deve mesclar o calor da apresentação.

O orador-líder – político, advogado, etc. -, deve ser mais caloroso porque tem de chamar a atenção e seu objetivo é convencer a todos. Ora, somente com uma postura ereta, gestos firmes, olhos aguçados, semblante altivo, voz incisiva e forte é que um orador poderá levar os seus ouvintes ao convencimento. É certo que, ao desenvolver a locução, poderá suavizar palavras e gestos, mas tudo dosado em cada momento da oração no sentido de envolver os seus ouvintes.

6 – A INTRODUÇÃO AO TEMA
6.1 – INTRODUÇÃO

A parte mais difícil da comunicaçãoem público é a introdução ao tema, porque este é o momento de conseguir atrair a atenção, de relaxar a platéia e de fazer com que o ato tome forma e se prepare para desenvolver.

Também é o momento em que o orador deverá se desligar do seu eu personalíssimo e transportar-se para a personalidade do personagem que pretende representar.

6.2 – INTRODUÇÃO I
Será sempre muito proveitoso que o orador (conferencista, professor ou líder) possa começar comentando um caso recente e de conhecimento público que guarde relação com o tema a ser apresentado.

Exemplo:

– Ontem li, com certa alegria, um artigo do Dr. Margarido Coimbra afirmando que as recentes pesquisas demonstram um elevado grau de evolução da taxa de desemprego no país. Mas, até que ponto poderemos suportar a eterna busca da mera sobrevivência, a ânsia de buscar um mísero emprego, a resignação de ser apenas mais um número nas estatísticas…? 

Na falta de algo atual pode ser uma pequena história ou um fato, ou ainda uma pergunta (dúvida) sobre o tema.

Senão vejamos:
– Será que alguns dentre nós já paramos para meditar sobre a função do sol no universo, e observou que o astro, embora sustente toda a vida na terra, paradoxalmente, é também o mensageiro da morte?

Basta lembrar que o deslocamento de nosso planeta por meros cinco por cento para mais próximo do sol faria a terra transformar-se em um imenso deserto, e se fosse 5% mais distante do sol o nosso planeta seria um imenso bloco de gelo.

Em ambos os casos sem qualquer chance de vida animal, aliás, como centenas de planetas já desvendados pela nossa ciência. 

Nem é preciso destacar que o sol é apenas e tão somente um poço de energia nuclear encravado no universo e que, pela força de sua contínua explosão, transborda, irradia e mantém a luz e o calor e, por conseqüência, a vida que conhecemos…

Alguns oradores conseguiram obter sucesso na arte de chamar atenção do público de forma pouso usual.

Um deles, sem qualquer apresentação, chegou até a tribuna e, agitado, quase gritando, exclamou:

– Eu renego a Deus, com todos os seus anjos e a Virgem Maria.

Depois de 10 segundos de silêncio absoluto, concluiu, já com a voz comedida e pausada:

– Estas são as palavras que se ouvem nas profundezas do inferno, mas… Aqui, hoje, vamos falar e ouvir sobre a influência da Camada de Ozônio na transformação das áreas de caatinga, antes que o inferno se instale naquelas paragens. 

Outro chegou, tomou assento à mesa e, em tom absolutamente solene, disse:

– Infelizmente, antes de iniciar a nossa apresentação, eu devo dizer que tenho uma notícia não muito boa para todos nós, na verdade, trata-se de uma notícia péssima.

Depois de alguns segundos de silêncio, concluiu:

– A notícia é que eu não sou um bom orador, aliás, fui reprovado em todas as oportunidades em que me apresentei, mas, como sou insistente, e sempre acreditei numa próxima chance, estou aqui.

Pelas falhas futuras espero que me perdoem. 

Esta não é uma boa escolha. Qualquer introdução que utilize fórmulas negativas poderá desestimular o público sendo, portanto, desaconselhável por razões óbvias.

Mas desde que não seja uma piada, qualquer caso pode dar ensejo a uma melhor interação do palestrante e sua platéia.

Um exemplo:

– Já há alguns anos venho buscando conhecer um pouco do verdadeiro significado e influência da oratória na vida política universal… E tenho tido grandes surpresas.

Em primeiro lugar descobri que não há uma fórmula para se tornar um grande orador; depois, que muitos oradores sequer conheciam satisfatoriamente a língua em que se expressavam e, por último, o mais intrigante, os grandes oradores, na sua maioria, são tímidos e pouco afeitos a discussões em seus próprios grupos sociais, mas dedicadíssimos leitores e observadores incansáveis…

Outro exemplo:

– Quando recebi o convite para participar desta empreitada, falar sobre o Pico do Ibituruna, me veio à lembrança um episódio que se passou na época da Guerra dos Farrapos e que sempre foi uma bússola na minha vida…

Mais um exemplo:

– Falar sobre esta matéria é especialmente gratificante para qualquer palestrista, principalmente porque é um tema recente, pouco debatido e que, a cada momento, faz emergir um novo enfoque, com reflexos a atingir uma crescente rede de empresários e empreendimentos e, por extensão, alterar toda a estrutura da economia nacional.

Por coincidência, ainda hoje pela manhã, ao ler o Jornal da Cidade, observei um destaque singular…

De qualquer forma, sempre será mais difícil a introdução do que discorrer sobre o conteúdo da palestra, portanto, o segredo do sucesso nesta fase é a criatividade, muita criatividade, ou toda criatividade.

É muito interessante, e eficiente, o uso de citações célebres ou trechos poéticos para abrir a introdução, por exemplo:

– Se os fracos não têm a força das armas, que se armem com a força do seu direito…

Já dizia Rui Barbosa, no século passado.

Pois hoje, cento e muitos anos passados, ainda não temos armas, principalmente as econômicas. Urge, portanto, que tenhamos o direito.

E é sobre a possibilidade de nos armarmos todos com o uso imoderado do direito, em toda a sua plenitude e extensão, é que vamos discorrer sobre os instrumentos jurídicos disponíveis, de acesso popular, trazidos a lume pela sociedade civil organizada, vez que pálida e omissa se encontra a estrutura política governamental…

A única dificuldade reside na necessidade de destaque do ponto de ligação entre a citação ou trecho poético, ao enredo da palestra. Depois disso, a exposição flui naturalmente, desde que, claro, sejam observados os pontos prefixados no projeto estrutural do discurso.
6.3 – Introdução II
Mas a introdução também deverá abordar de forma sucinta os principais eixos da apresentação, como forma de despertar o interesse e como forma de antecipar algumas questões de destaques no tema.

Em alguns casos a introdução poderá ser um simples resumo das várias fases do tema a ser apresentado, naturalmente tendo o cuidado de não se aprofundar em teses, porque sempre haverá o risco da introdução competir com o enredo e criar dificuldade para o orador transpor a fase de introdução para a fase seguinte.

Por exemplo:

– A nossa pretensão, neste trabalho, é explorar as razões que levam o governo municipal a priorizar o controle das áreas destinadas à construção de prédios residenciais em detrimento do comércio varejista local, deixando proliferar conglomerados empresariais, denominados shoppings centers, em ambientes mais distantes dos pontos de consumo… 

Outro exemplo:

– Vamos tentar aferir a possibilidade de se formar um bom orador utilizando as ferramentas, o vocabulário e os conhecimentos já disponíveis, sem necessidade de sofisticar o aprendizado com impostação de voz, treinamento de postura ou dramatização da apresentação…

Mais um exemplo:

– Pois bem, agora que já nos conhecemos, devo dizer aos senhores que aqui estou disposto a discutir aberta e plenamente todas as implicações da adoção da liberdade do direito de aborto no território nacional.

E mais, entendo que é importante cotejar todos os aspectos positivos e negativos desta hipótese e, da mesma forma, com coragem, examinar os reflexos já constatados nos demais países que adotaram ou repeliram a liberação do direito de aborto.

Alguns oradores optam por comentar o eixo da palestra formulando uma tonelada de perguntas para depois dizer que poderá ou tentará responder a todas.

6.4 – INTRODUÇÃO III
Ainda na fase de introdução é necessário demonstrar um razoável conhecimento da matéria enfocada, sob pena de o orador não conseguir obter o respeito e a confiança dos ouvintes. Portanto, de forma sutil, mas naturalmente perceptível para o auditório, dever-se-á explorar, rápida, mas eficientemente, alguns tópicos mais controvertidos do tema, como uma avant premiere da palestra.

Por exemplo:

– Não pretendo cansá-los e nem permitir que desistam de desenvolver comigo esta apresentação, porque, penso, deverá ser importante para o futuro dos nossos descendentes que já encontrem definidos os moldes de família e da sociedade que lhes deixaremos como herança da nossa geração.

A questão é definir se a liberdade do direito de aborto poderia representar um desrespeito ou um atentado à vida potencial; se seria uma conquista dos direitos da mulher ou uma forma de planejar a família; se deveria se constituir em um instrumento que permita a não proliferação da paternidade irresponsável; se poderia ensejar a defesa do nascituro de uma vida indigna, ou mesmo se abriria um caminho para evitar a proliferação de cidadãos abandonados à própria sorte, sem carinho, sem amor, e condenados ao infortúnio.

Bem, este é o nosso dilema, portanto, vamos a ele.

Outro exemplo:

Todos nós desejamos aprender a nos expressar bem, ter capacidade de convencer os nossos interlocutores, conseguir comover e sensibilizar as pessoas ao nosso redor e, naturalmente, desenvolver técnicas que valorizem a nossa capacidade de comunicar e externar os nossos pensamentos, mas, por outro lado, temos de reconhecer que este aprendizado exige dedicação, trabalho e muita vontade de vencer.

Pois bem, hoje vamos conhecer alguns instrumentos, que bem utilizados, poderão facilitar a nossa capacidade de expressar e comunicar com as pessoas, mas sem afastar a certeza de que não existem fórmulas mágicas. Tudo dependerá do empenho, do capricho e, sobretudo, da nossa capacidade de disciplinar a nossa conduta diante do aprendizado.

Não é um gesto, uma palavra, uma atitude ou o conhecimento profundo de uma determinada matéria que nos dará a condição de dominar uma palestra e entusiasmar um determinado auditório, mas, sem dúvida, é a soma de todos estes requisitos, aliados a uma forma coordenada e a uma técnica direcionada, que nos dá a possibilidade de alçar à condição de patronos de uma tese e, com toda glória, termos condições de dividi-la com o público.

A introdução não deverá tomar mais que dez por cento do tempo de toda a apresentação, mas o conteúdo poderá englobar mais que noventa por cento do tempo, sem comprometer a palestra.

7 – GESTOS, TONS DE VOZ E EXPRESSÕES
Os gestos, tons de voz e expressões são o tempero e a cor da apresentação.

Uma apresentação apenas vocal, sem ênfase, equivale à visão de um prato de arroz com feijão, em preto e branco, e o que é pior, ambos sem qualquer tempero.

O sal, o azeite, a pimenta, o alho, a cebola, o tomate, tal qual a canela, o alecrim e a hortelã, entre outros simples condimentos, além do colorido que oferecem, são produtos indispensáveis numa cozinha.

É possível fazer um bom prato sem arroz, feijão e sem macarrão, ou um excelente prato sem qualquer carne ou legume, mas é absolutamente incomum criar-se um prato sem a utilização destes pequenos e simples ingredientes complementares, que são os temperos.

Na comunicação oral em público também temos estes complementos que enriquecem o sentido da oração e às vezes são mais valiosos e comunicativos que as próprias palavras.

Contudo, o pecado será não saber aplicar cada condimento e colorido no seu momento exato e na dosagem apropriada. Como nos alimentos, os condimentos em excesso tornam o prato simplesmente inaproveitável. e não é por acaso.

Dizem que a diferença entre o remédio e o veneno encontra-se apenas na dosagem. Quando falamos de comunicação, da mesma forma, o sucesso e o fracasso estão muito próximos. O trabalho maior do orador será saber dosar cada um dos temperos na sua locução.

Não há técnica infalível na aplicação dos temperos e sequer uma dosagem ideal. A intuição funcionará com absoluta simplicidade, mas deixará de funcionar se o orador não conseguir se incorporar ao personagem e mergulhar no tema. Neste caso, ficará reduzido à imagem de uma peça mecânica que não consegue sincronização com as demais, perdendo-se e desgastando-se a cada minuto.

A fórmula mágica e única, que permite ao orador não perder a sintonia do discurso com os gestos e com a entonação de voz, consiste no engajamento completo, no despojamento absoluto do seu eu cotidiano para imergir profundamente no personagem e no seu tema.

O treinamento físico e psicológico, recomendado ao final destas notas, faz com que o orador engajado, ausente do mundo exterior naquele momento, funcione eficazmente. O resultado perseguido é que a palestra e a expressividade corporal e intelectual trilhem, juntas e entrelaçadas, aqueles caminhos que já conhecem.

Algumas atitudes são instintivas, funcionam independente da cognição, como o ato de fechar os olhos, esquivar-se, e colocar as mãos à frente, como gesto de defesa, quando algo ameaça nos atingir frontalmente. A necessidade de sobrevivência nos dotou com este instinto.

Muitos outros gestos podem funcionar com a mesma eficiência daqueles instintivos, mas dependem do aprendizado, da técnica e da prática para torná-los operantes.

É o treinamento que prepara o nosso sistema límbico, aquele que comanda nossas respostas físicas e intelectuais imediatas frente às emoções para, independente do processamento do nosso juízo, ter condições de se antecipar, tomar decisões e disparar impulsos automáticos de autodefesa.

Quando alguém que nunca dirigiu um veículo precisa pará-lo, não aciona os freios, não reduz a marcha e não tenta desligá-lo. Isto porque o sistema límbico, embora perceba a emoção de desespero, ainda não sabe como e o que fazer para imobilizar o veículo.

Contudo, quem tem prática na direção, não precisa pensar nem decidir o que fazer. Numa emergência, seu sistema límbico que já foi treinado, dispara os impulsos necessários de autodefesa e, automaticamente o indivíduo aciona os freios, reduz a marcha e desliga o veículo.

É o corpo e a mente interagindo em perfeita harmonia.

Da mesma forma, o orador, depois do treinamento, saberá instintivamente a dosagem exata para a postura, para os gestos e para os tons de voz.

Mas é sempre oportuno lembrar que um dos grandes recursos da oração é a pausa, o momento de silêncio porque, muitas vezes, o silêncio fala melhor que as próprias palavras. Por exemplo:

Eu sonhei com um mundo melhor (silêncio) … Eu sonhei.

8 – DESENVOLVIMENTO DA PALESTRA
Depois da introdução fica mais fácil desenvolver a palestra porque o sequenciamento fica óbvio, a construção torna-se evidente e tudo se transforma na estrutura de uma daquelas histórias contadas pelos nossos pais que, embora absorvidas num passado distante, ainda estão fielmente gravadas em nossa memória.

A única complexidade que poderá existir aparecerá nos momentos de transposição de uma fase para outra: se o orador não encontrar uma amarraçãocoerente, o discurso poderá sofrer um impacto negativo para o ouvinte.

Para que isto não ocorra é bom o orador absorver e sedimentar alguns modelos de ligação da introdução com o desenvolvimento da palestra que poderão ser úteis.

Por exemplo:

– Bem, agora que todos conhecem as bases da nossa pretensão na apresentação de hoje, podemos enfrentar o cerne da nossa tese.

É de conhecimento geral que as linhas aéreas regionais, que exploram o transporte dos executivos do nordeste, conseguem mascarar seus números a tal ponto que os seus balanços apontam para uma seqüência de prejuízos jamais imaginada. Mas…

Outro exemplo:

– Assim, com todas estas considerações, creio que já estamos prontos para divagar sobre o ponto central da nossa conversa.

Penso que não é aceitável que as empresas concessionárias do serviço público de fornecimento de energia elétrica possam ser consideradas meras empresas comerciais, como o senhor “Joaquim Quitandeiro”, e gozar dos privilégios da norma comercial pura, desconsiderando os aspectos da concessão pública, do monopólio e da essencialidade do serviço que prestam, e quero dizer as razões deste meu convencimento…

Mais um exemplo:

– Ora, formulados estes conceitos podemos avançar para o enfoque mais objetivo desta nossa apresentação.

O que representa para o nosso comércio varejista um juro básico no patamar ora alcançado? 

Quantos pequenos industriais cerrarão suas portas e demitirão seus empregados antes do próximo sábado?

Quais seriam os verdadeiros beneficiários desta política monetária? 

Eu tenho, aqui em mãos, os dados estatísticos, oficiais, de todas estas questões que nos incomodam, nos afligem e nos empobrecem…

Antes de o orador falar sobre os efeitos de determinada situação é ideal que se manifeste sobre o seu surgimento, sua complexidade, grandiosidade ou extensão, para somente depois expor os benefícios ou malefícios que provocará.

Durante o período em que falar sobre o fato, objeto da palestra é conveniente discorrer sobre as opiniões de especialistas, quando divergentes, contrapondo-as e comparando o peso e o reflexo de cada uma.

Quando a matéria comportar, será útil a demonstração de dados estatísticos e pesquisas – sempre de fontes confiáveis -, destacando em cada caso as divergências e as convergências de dados.

A palestra deverá apresentar as questões e as respostas, mesmo as contraditórias, para que se possa valorizar e enriquecer aquelas opiniões que corroboram a tese do orador e, naturalmente, contrapor-se àquelas que possam se confrontar com o espírito de fundo da palestra.

Só haverá credibilidade quando, pelo menos aparentemente, se puder fazer um confronto sobre as teses a favor e as teses contrárias.

Quando se apresenta uma matéria inédita, sem opositores, não se trata de uma defesa de tese e sim de uma apresentação de tese.

A importância desta diferença está exatamente na forma em que vai se conduzir o orador. Não há sentido numa postura defensiva quando não há oposição, mas comportará apenas uma comedida explanação sobre os efeitos bons e ruins da matéria enfocada.

8.2 – ENREDO DA PALESTRA
É absolutamente livre o desenrolar da palestra, até pelos inúmeros caminhos que o orador poderá seguir em face da vocação do discurso posto que tanto seja possível que ocorra num evento de comemoração de uma data, ou de uma conquista, como pode ser uma oração fúnebre em que se faz a última homenagem a quem já partiu do nosso convívio terrestre.

Nesta última hipótese, claro, todo o planejamento da apresentação deve ser adaptado, toda a ênfase deve ser solene, a voz pausada, grave, com gestos e expressões que simbolizem o sentimento de perda que poderá ser um enfoque da oração.

Por outro lado deve ser rápida, simples e, se possível, com a adoção do incremento de figuras de retórica que exaltem a passagem do homenageado.

Em se tratando de homenagem de corpo presente, ou seja, defronte ao corpo do falecido, a oração não será necessariamente dirigida aos ouvintes, mas pode ser objetivamente direcionada ao homenageado, como se ele ali estivesse.

Exemplo:

– Amigo e companheiro Alexandre,

nós, seus amigos, jamais poderíamos imaginar que hoje, menos de vinte e quatro horas do nosso último encontro semanal, pudéssemos estar aqui a prestar-lhe esta última homenagem enquanto relembramos a alegria e a amizade que com tanto carinho nos fizestes merecedores. 

Às vezes fico meditando o quanto de desprendimento você nos demonstrou a todos ao longo deste convívio amigo e fraterno…

Todos nós, amigos de tantas primaveras e outros tantos outonos, nesta hora derradeira, nos quedamos, juntos, a tentar entender os desígnios divinos que nos privam do seu carinho e o encarregam de servir ao Senhor de todas as almas.

Não temos o poder de trazê-lo de volta, sequer por um minuto que seja, mas podemos, numa voz uníssona, pedir ao Grande Mestre que o receba com uma chuva de flores, com os sons de clarins e violões, e em seguida, em nosso nome, lhe ofereça a serenata matinal de Carlos Gardel, seu hino maior neste planeta de passagem. 

Depois, quando fores ao repouso, ao lado de tantos quantos lhe foram caros e ora compartilham da sua presença alegre e contagiante, possa apenas se lembrar que as nossas lágrimas de agora apenas representam a dó que temos de nós mesmos, porque, de agora em diante, estaremos órfãos do seu abraço amigo e das suas palavras balsâmicas.

Vá, distribua seu sorriso e seu amor aos tantos outros amigos que já o esperam, nós continuaremos orando e suportando o frio de sua ausência e sentindo a esperança de que, do alto desta nova morada, sua benção possa nos alcançar…

Que o Senhor o receba com todas as glórias do paraíso.

O quadro principal que o orador deve gravar no seu inconsciente é a estrutura formal do discurso. O resto, se o roteiro estiver bem elaborado, prosseguirá quase automaticamente, desde que o assunto em questão esteja efetivamente dominado.

8.3 – ASSUNTO PARALELO
Eventualmente, para dar substância e cor ao discurso, o orador poderá levantar um assunto paralelo que guarde relação com o desfecho do enredo em questão e dele se utilizar para comprovar uma assertiva ou para desqualificar uma tese.

Mas é preciso ter cuidado com os assuntos paralelos. Se o orador não tiver a habilidade de resumi-lo, correrá o risco de se perder nas conjecturas e não conseguir voltar ao assunto principal.

Ademais, o assunto paralelo deve ser curto, especialmente objetivo, servindo como suporte, mas não permitindo que o auditório perca o foco do discurso.

De qualquer sorte é importante saber navegar sobre estas ferramentas de comunicação, pois é certíssimo que a comunicação ficará mais solta e se expandirá com mais vigor, tornando-se, portanto, mais confortável para os ouvintes.

Exemplo:

– Pois bem, é nossa convicção madura de que esta tese é de grande importância e não pode mais esperar. A educação sempre foi o pilar do desenvolvimento e o principal instrumento político para fomentar a crença nas instituições públicas, aliás, mesmo porque, não há como esperar que um povo despreparado e divorciado da cultura jurídica a que se submete, possa se sentir seguro, e mais, possa se sentir um membro efetivo da sociedade que decide os caminhos e o destino dos seus descendentes.

Importa lembrar o que respondeu o grande presidente Americano John Kennedy quando lhe perguntaram “o que os Estados Unidos da América poderia fazer pelos seus cidadãos”.

Ao invés de se perder em promessas ou palavras evasivas que pudessem lhe alçar à posição de benfeitor, ousou rebater forte a necessidade do sentimento de cidadania e retrucou dizendo que não se deveria perguntar aos Estados Unidos o que ele poderia fazer para os seus cidadãos, mas sim, o que cada cidadão poderia fazer por ele.

Ora, para entender o valor da soberania de um povo, da importância da materialização dos conceitos de cidadania e do significado da força de uma nação organizada em Estado, é necessário que cada cidadão tenha um mínimo de conhecimento dos temas elementares de direito, principalmente a predominância do direito coletivo ou do interesse social sobrepondo-se aos interesses pessoais ou de grupos. 

Por tudo isso é determinante o efetivo acesso que cada cidadão brasileiro possa ter aos cursos básicos de cidadania…

Como vimos, o uso de assuntos paralelos pode enriquecer uma tese, mas o orador não pode permitir que o foco da palestra fique ameaçado. O assunto paralelo deve manter uma sólida ligação com o enredo daquele estágio do discurso.

8.4 – FIGURAS DE RETÓRICA
Como meio de captar o interesse dos ouvintes, grandes oradores usam e abusam das figuras de retórica, que são ferramentas destinadas a associar fatos, situações, ocasiões, expressões, ou outras orações, ao enredo da palestra.

Exemplo:

– Se é para dar a César o que for de César também não nos poderá ser negado o direito ao conhecimento e à verdade, porque este é núcleo do patrimônio humano e por certo nos pertence a todos, indistintamente…

Outro tipo de figura de retórica:

– Ele chegou, como de sempre empavonado e de semblante aberto às escâncaras, embora um iceberg lhe atravessasse as veias e comprimisse o coração. 

Era manhã, ainda bem cedo, vigia um silêncio sepulcral quando ele cruzou as esporas no seu cavalo acastanhado, puxou as rédeas com vigor e sentiu as crinas escuras lhe baterem ao rosto, e o animal, resfolegante, elevou aos céus as patas dianteiras.

Em seguida, como se clamasse pela guerra, fez vibrar com um som seco, quase estridente, as palavras que até hoje ainda ecoam pelas nossas campinas, de norte a sul do país: 

– Independência ou morte!

Outra figura de retórica foi usada por Olavo Bilac quando se dirigia a um grupo de jovens, querendo chamar a atenção para a sua esperança, como um homem já maduro. Clamou:

– Escuta a esperança de meu outono, ó primavera de minha terra! 

Já Winston Churchill, desejando mostrar figuras antagônicas e que podem conduzir ao mesmo raciocínio, com o objetivo de demonstrar a disposição de manter acesa a discussão de matéria de governo com os países aliados, no contexto de um discurso irado, aos seus generais e estrategistas, arrematou:

– Isto não é o fim. Não é, nem mesmo o começo do fim. Mas, talvez, seja o fim do começo.

As infinitas figuras de retórica devem ser usadas no corpo de uma oração porque fortalecem o discurso e dão sustentabilidade à atenção dos ouvintes.

9 – CONCLUSÕES DA PALESTRA
O desfecho, a síntese do pensamento do orador, a mensagem final, será sempre uma conclusão e esta, nitidamente, é o ponto crucial da apresentação.

Depois de tantas citações de uma opinião e outra, importa aos ouvintes saber com absoluta clareza qual será aquela que o orador adotou como correta, como ideal ou como resultado de sua interpretação ou criação.

Assim, a conclusão deverá conter uma fundamentação do próprio apresentador, não poderá ser fruto apenas de conjecturas e de simpatia por esta ou aquela situação. Afinal os ouvintes estão ali exatamente para conhecer a conclusão do apresentador, ele é o personagem principal do evento, portanto, deve se portar como tal.

O orador deve estar compromissado com a razão, conforme sua apresentação, por isso não poderá postar-se como indeciso em nenhuma hipótese, e a afirmação de sua convicção deverá ser acompanhada de substancial destaque no timbre de voz e na expressão corporal.

Exemplo:

– Conforme vimos, está pacificamente comprovado que o sistema de transporte aéreo é altamente lucrativo; que é um serviço prestado sob concessão federal; que se utiliza dos aeroportos de propriedade da união, portanto públicos, construídos com os recursos dos impostos pagos por todos, e mais, que o combustível utilizado é subvencionado, ou seja, os consumidores de outros tipos de combustíveis é que suportam o diferencial do custo; que a tarifa nacional é uma das mais elevadas do mundo, não obstante a mão-de-obra ser extraordinariamente barata.

Vimos também, na doutrina de respeitáveis autoridades, que o único instrumento de defesa do consumidor é a existência de uma mínima concorrência entre as várias linhas em funcionamento. 

Portanto, as linhas aéreas são categorias econômicas da iniciativa privada que não podem obter a benção governamental para realizar fusões entre si, porque o resultado, óbvio, é a redução do já fraco índice de concorrência, viabilizando o domínio do mercado em detrimento do consumidor e do contribuinte.

É bom alertar que atitudes insensatas e notoriamente motivadas por interesses que não coadunam com a seriedade que se espera dos nossos administradores, comprometem a seriedade da administração pública e fomentam a descrença nas nossas instituições. 

Neste sentido, depois de analisados e sopesados os reflexos de cada uma das situações possíveis, é que nos sentimos autorizados a defender a tese de não permissão de fusão das linhas aéreas nacionais.

Afinal, como visto, estamos em sintonia com o direito, com o espírito de justiça e mais, muito mais, estamos atendendo ao princípio de moralidade insculpido no artigo 37 da Constituição Federal.

Quando o orador concluir o seu discurso, deve dar um sinal claro para os ouvintes, alterando ou diminuindo a voz, acelerando-a ou pausando-a, mas é imperioso que este sinal possa ser sentido pelo público.

10 – ENCERRAMENTO DA PALESTRA
O encerramento pode ser apenas uma pequena pausa e um simples “Boa noite”.

Mas o orador, sempre que possível, deverá fazer com que o encerramento seja também uma extensão da apresentação, ou seja, é recomendável que haja uma ligação com a tese defendida na palestra e as palavras de despedida.

Assim, o ideal poderia ser:

– Desta forma eu os convido a meditar sobre o assunto, formar sua opinião de forma desapaixonada, mas analítica e, antes do desfecho desta agressão aos consumidores, contribuintes e cidadãos, possam questionar, manifestar e exigir uma postura madura, responsável e honesta dos nossos governantes.

Boa noite a todos.

O orador, ao final da locução de encerramento, deverá curvar-se levemente para frente, em sinal de respeito aos seus ouvintes.

Se for o previsto, disponibilizar-se para as perguntas que sucederão à palestra. Se não houver perguntas, depois de agradecer a atenção dos presentes, deixar o recinto, tão logo comecem a cessar os eventuais aplausos.
11 – MODELO DE PLANEJAMENTO DE UMA PALESTRA
11.1 – ELEMENTOS BÁSICOS
1- Tipo de comunicação: Palestra

– Poderia ser aula, discurso, mesa redonda, debate, etc.

2- Recursos disponíveis: Áudio e slide

– Poderia ser telão, gráficos, anotações, etc.

3- Público-alvo: Engenheiros e Advogados

– Poderia ser para um alvo mais heterogêneo.

4- Grau de informalidade: Médio

– Não é solene, mas não é totalmente informal – os contornos da linguagem, da gesticulação e do tom de voz devem existir, mas não podem ser exagerados.

11.2 – ABERTURA – VOCATIVO
Sugestões:

– Senhoras e senhores, estudiosos do Direito Empresarial, boa noite. 

Ou:

– Ilustríssimo senhor Dr. Azambuja de Oliveira Bastos, digníssimo presidente da empresa Campos & Campos do Oeste Sociedade Anônima, 

Senhores Diretores,

Senhores Conselheiros,

Meus colegas de trabalho, 

Senhoras e Senhores.

Ou:

– Caros alunos.

Ou:

– Eméritos Julgadores.

Ou:

– Caríssimos mestres.

Etc., etc

Em muitos casos é oportuno citar nomes de autoridades presentes ou homenageados.

Também pode ser interessante agradecer a presença ou a participação de pessoas ilustres.

11.3 – INTRODUÇÃO
Exemplos:
– O mundo moderno nos trouxe facilidade, conhecimento e conforto, porém, é também o portador de exigências mínimas para o nosso convívio político, social e humano. 

Ou:

– O fato mais importante, e inegável, é que o relacionamento humano, nacional ou internacional, ficou especialmente dependente do conhecimento e perfeita interpretação das regras vigentes.

Assim, nosso objetivo neste encontro é discorrer sobre os caminhos do direito, como regras sociais impositivas, e a necessidade de que cada cidadão possua um mínimo de conhecimento jurídico para sobreviver na selva de leis que nos cercam.

Ou:

– É possível ao cidadão comum entender as leis?

É possível ao cidadão comum avaliar a validade das normas?

É possível ao cidadão se proteger dos abusos emanados dos poderosos?

Ou:

– Quando, como e onde começar a jornada pelo conhecimento jurídico cidadão?

Ou:

– Sem qualquer dúvida é possível, sim. E é sobre esta possibilidade que vamos falar nesta noite.

Muitos são os meios de despertar o público e facilitar a introdução no tema eleito, contudo, há que se fazer comunicar. Muitas vezes, na Introdução, há oportunidade para se elevar a voz e utilizar gestos mais agressivos.

11.4 – CHAVES DE TRANSPOSIÇÃO DE ESTÁGIOS DA PALESTRA
Exemplos:

– A resposta é sim, sim e sim. E é sobre todas estas implicações que vamos falar nesta noite…

Ou:

– Bem, este é o nosso dilema, portanto, vamos a ele…

Ou:

– Bem, agora que todos conhecem as bases da nossa pretensão na apresentação de hoje, podemos enfrentar o cerne da nossa tese…

Ou:

– Mas tudo isto é pouco significativo quando estamos frente a frente com a realidade…

Ou: 

– Assim, devemos analisar o comportamento de cada uma destas situações…

Ou:

– Mas algumas autoridades, respeitáveis autoridades, pensam de forma diferente, e chegam a publicar dados convincentes…

Ou:

– A nossa tese é diferente, não raro, agride a sabedoria dominante, mas, pouco a pouco, vai se consolidando…

As frases-chave para a transposição de fases ou estágios são úteis para orientar a seqüência e eliminar o stress natural que o orador vivencia quando chega o momento de avançar na palestra e ele não consegue encontrar o caminho naturalmente.

11.5 – CONTEÚDO
O conteúdo temático do discurso deverá ser dividido e apresentado dentro de uma seqüência lógica e entremeado por momentos de relaxamento da platéia e momentos de citações de situações congêneres ou exemplos que possam despertar o interesse e a confiança do público.

Em se tratando de discurso de improviso, algumas anotações não são apenas úteis para evitar o atropelo de itens que devam ser abordados, mas são necessárias principalmente quando há referência a dados estatísticos ou informações técnicas.

11.6 – SUGESTÃO DE ANOTAÇÕES
1- Tema: elaborar os tópicos do Tema.

2- Problema: problemas ou contradições.

3- Relaxamento da platéia: discorrer sobre um caso, etc.

4- Tema: continuar com o Tema.

5- Relaxamento da Platéia: comentar um assunto paralelo.

6- Tema: continuar com o Tema.

7- Discorrer sobre outras teses e ou apresentar dados.

11.7 – CONCLUSÃO
Exemplos:

– Portanto, está pacificamente comprovado que o sistema de transporte aéreo é altamente lucrativo; que é um serviço prestado sob concessão federal; que se utiliza dos aeroportos que são de propriedade da união, portanto públicos, construídos com os recursos dos impostos pagos por todos, e mais, que o combustível utilizado é subvencionado, ou seja, os consumidores de outros tipos de combustíveis é que suportam o diferencial do custo; que a tarifa nacional é uma das mais elevadas do mundo, não obstante a mão-de-obra ser extraordinariamente barata, e que o único instrumento de defesa do consumidor é a existência de uma mínima concorrência entre as várias linhas em funcionamento. 

Ou:
– Portanto, as linhas aéreas pertencem `a categoria econômica da iniciativa privada que não podem obter a bênção governamental para realizar fusões entre si porque o resultado, óbvio, é a redução do já fraco índice de concorrência, viabilizando o domínio do mercado em detrimento do consumidor e do contribuinte.

Ou:
– Neste sentido, depois de analisados e sopesados os reflexos de cada uma das situações possíveis, é que nos sentimos autorizados a defender a tese de não permissão de fusão das linhas aéreas nacionais.

Ou, ainda:
– Afinal, como visto, estamos em sintonia com o direito, com o espírito de justiça e mais, muito mais, estamos atendendo ao princípio de moralidade insculpido no artigo 37 da Constituição Federal.

11.8 – ENCERRAMENTO
Exemplos:

– Assim, esperamos haver contribuído para que esta matéria de Direito Industrial possa ter despertado o interesse e a dedicação necessários à continuidade dos estudos neste tema e colocamo-nos à disposição dos senhores, para eventuais questionamentos. 
Responder às perguntas (caso esteja previsto).

– Boa noite a todos.

Ou:

– Com estas considerações, eu os convido a meditar sobre o assunto, formar sua opinião de forma desapaixonada, mas responsável e, antes do desfecho desta agressão aos consumidores, contribuintes e cidadãos, possam questionar, manifestar e exigir uma postura madura, responsável e honesta dos nossos governantes.

Boa noite a todos.

O importante é ter planejado e ter-se na mente, algumas frases de encerramento. O conteúdo será sempre variável e deve ser preparado de acordo com o tipo e a especificidade da matéria enfocada.

12 – EXERCÍCIOS PRÁTICOS
12.1 – LEITURA
Para conseguir uma abertura intelectual satisfatória, o orador deve ler, no mínimo, um livro por mês, além de revistas, jornais e publicações próprias da sua atualização profissional e social.

Mas o orador deve reaprender a ler.

Os meros leitores buscam nas publicações uma assimilação de suas idéias, ou conjecturas, ou ainda sonhos, que se consubstanciem em uma realização qualquer ao final de cada enredo.

Na verdade pretendem encontrar, como corolário da leitura, uma mensagem, positiva, ou negativa, não importa, mas sempre uma mensagem a ser decifrada.

Para o orador a leitura não poderá ser simples, rápida ou dinâmica; pelo contrário, deverá analisar cada palavra e cada oração para assumir a postura de cada um dos personagens da história, vivenciá-los integralmente e avaliar os sentimentos multicoloridos que o escritor expressou em cada pedaço de sua criação.

Assim seu proveito será potencializado, senão completo.

Cada faceta que o escritor conseguir sensibilizar no seu leitor, ou cada detalhe que o leitor conseguir extrair da leitura, poderá ser útil ao orador no momento em que tiver de expressar as tantas emoções que se desenham no seu âmago a cada palavra do seu discurso.

Por isto, a leitura deverá ser diferente, quase teatral e mágica.

É recomendável, também, a leitura e interpretação de pelo menos três poesias a cada mês, independente dos livros.

As poesias devem ser lidas em voz alta e com a ênfase e sentimento nos quais seja possível imaginar quanto estava inspirado o poeta quando criou os poemas.

Uma poesia belíssima pode não significar nada para um leitor desatento e desapaixonado. Assim, como o fundamental é conseguir absorver o máximo da sensibilidade do poeta, a meta será sempre conseguir vislumbrar cada uma das imagens da poesia, com o seu colorido e com o relevo que lhe valoriza.

Se possível, todo orador deveria aprender a declamar, que é diferente de proferir uma palestra ou discursar em eventos específicos.

A declamação é um ato solitário de comunicação. Não há vocativo, porque não se dirige a ninguém, mas tão somente à alma do declamador, embora possa e deva ser apresentada perante um público, é um gesto íntimo, onde se fala como se estivesse contando um fato ou repetindo uma história para uma criança recém-nascida.

Há ênfase, há modulação da voz, manejo de gestos e expressividade facial e corporal, contudo, não se espera motivar ninguém, é como o canto de ninar.

12.2 – FLEXIBILIZAÇÃO DA VOZ
Para que a voz se torne clara e pronunciada com vagar, suficiente para que possa ser absorvida pelo ouvinte de médio entendimento, basta que o orador, durante o seu período de treinamento, diariamente, e depois pelo menos uma vez por mês, se proponha a ler um trecho de dez linhas de um texto qualquer, em voz alta, mantendo na boca três grãos de feijão ou milho; depois ler, também em voz alta, mais dez linhas com quatro grãos; depois, da mesma forma, mais dez linhas com cinco grãos; e, finalmente, outras dez linhas com seis grãos.

Este treinamento flexibiliza e amacia a voz.

Texto-exemplo:
– Portanto, está pacificamente comprovado que o sistema de transporte aéreo é altamente lucrativo; que é um serviço prestado sob concessão federal; que se utiliza dos aeroportos que são de propriedade da união, portanto, públicos, construídos com os recursos dos impostos pagos por todos, e mais, que o combustível utilizado é subvencionado, ou seja, os consumidores de outros tipos de combustíveis é que suportam o diferencial do custo; que a tarifa nacional é uma das mais elevadas do mundo, não obstante a mão-de-obra ser extraordinariamente barata, e que o único instrumento de defesa do consumidor é a existência de uma mínima concorrência entre as várias linhas em funcionamento.

12.3 – FIRMEZA DA VOZ
Para que a voz possa soar firme e vigorosa, são recomendados exercícios de voz para tonificar e afiar as cordas vocais. Devem ser praticados por cinco minutos pela manhã durante o treinamento e por alguns minutos, antes da palestra. 

Vejamos:
Lentamente:

ãããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããã

ãããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããã

hahahahahahahahahahahahahahhahahahahahahahahahahahaha

ahahhahahahahahahahahahahahahahahhahahahahahahahahaha

ôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôô

ôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôô

Normalmente:

hahahahahahahahahahahahahahhahahahahahahahahahahahaha

ahahhahahahahahahahahahahahahahahhahahahahahahahahaha

ôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôô

ôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôô

ãããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããã

ãããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããã

Rapidamente:

ôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôô

ôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôôô

ãããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããã

ãããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããããã

hahahahahahahahahahahahahahhahahahahahahahahahahahaha

ahahhahahahahahahahahahahahahahahhahahahahahahahahaha

12.4 – DESTAQUES NA VOZ QUE MUDAM O SENTIDO DA FRASE
A mesma frase pode adquirir dez sentidos diferentes usando-se apenas destaque de uma das palavras, com interrogação e afirmação.

Você pode ver a musa nua?

– Você pode ver a musa nua?

– Você pode ver a musa nua?

– Você pode ver a musa nua?

– Você pode ver a musa nua?

– Você pode ver a musa nua!

– Você pode ver a musa nua!

– Você pode ver a musa nua!

– Você pode ver a musa nua!

– Você pode ver a musa nua!

O orador deve construir frases com estas características e treinar as locuções de cada uma. É o treinamento que vai permitir que o orador possa dar real sentido à sua oração.
12.5 – O COLORIDO DA VOZ
Não é suficiente que o orador expresse as palavras certas no contexto exato e dentro de uma seqüência lógica. Espera-se do orador mais que isso.

É preciso emprestar colorido às palavras. 
Por exemplo:

Quando se quiser afirmar que “o Rio está morrendo pelo excesso de poluição”.

A palavra morrendo deve ser pronunciada com um ligeiro tom de amargura; a palavra excessodeve ser pronunciada mais destacada, cheia, mais alta, encorpada, que denote algo grande, muito grande e derramando, e a palavra poluição, com um timbre de voz e expressão facial que denote algo repulsivo, sujo, nojento.

Em outras frases, quando se falar a palavra criança, deve-se expressar de forma terna, suave e carinhosa.

Para a palavra forte é necessário tonificar e acentuar a voz para que realmente se possa passar a imagem de fortaleza.

Já na palavra frágil, de forma análoga, deve-se abaixar o tom de voz e pronunciá-la devagar, como se tivesse o cuidado de não quebrá-la.

E, quando falarmos do céu, do mar e das montanhasdevemos abrir a boca o máximo possível, usar pausas e gestos, para deixar notória a grandiosidade que se quer expressar.

12.6 – TIPOS DE VOZ
Nos grandes discursos sempre há espaço para o uso de vozes diferenciadas e apropriadas para cada situação.

Para maior facilidade de entendimento a oratória antiga já utilizava figuras de retórica para identificar tipos e aplicações de tons de voz dentro de uma oração.

Voz de Prata – para quem vai proferir uma palestra. Voz professoral, calma, explicativa, técnica. Voz da razão.

Voz de Ouro – para quem quer convencer alguém – induzimento. Voz forte e aguerrida. Voz da paixão.

Voz de Bronze – para quem vai representar um personagem dramático – invocar o universo; falar para multidão. É a maior expressão de solenidade. Voz do drama.

Voz de Veludo – para quem busca expressar humildade, alma, cumplicidade, lamento – sentimento. Voz da alma.

Em alguns casos e dependendo do contexto, é possível utilizar todas as vozes dentro de um mesmo discurso.

Para treinamento deve-se utilizar uma oração completa, e nela aplicar mais de uma voz.

Algumas frases em que é possível utilizar as quatro vozes:

– Não. Não era verdade. Todos nós sabíamos, mas, eu continuei a te amar. 

– As cortinas se cerraram, a luz se fez presente e a verdade ganhou vida, você, você estava linda. 

– Oh, Senhor, tende piedade dos pobres, socorrei os miseráveis e derramai amor no coração dos homens.

12.7 – CLAREAMENTO DA VOZ
Uma voz clara, inteligível, com as palavras completas se faz com um treinamento chamado dedestravamento da língua. O treino consiste em pronunciar palavras travadas em seqüência rápida, voz alta e com articulação nítida.

Exemplos de destravamento da língua:

– Tagarelarei, tagarelarás, tagarelara, tagarelaremos, tagarelareis, tagarelarão.

– Em três pratos de trigo comem três tristes tigres.

– Quando lhe fala da falha, falha-le a fala.

– Três papos de pato num prato de prata. 

– Seiscentos e sessenta e seis sucessivos sucessos sociais sensacionais.

– Luzia lustrava o lustre listrado; o lustre lustrado luzia.

– Iara amarra a arara rara, a rara arara de Araraquara.

– Um ninho de magarfagarfa com cinco magarfagarfinhos, quando a magarfagarfa guincha, guincham os cinco marfagarfinhos. Quem desmagarfagarfizar, bom desmagarfagarfizador será. 

– Um grego é gago, outro grogue é gagá. Tem um grego gagá e um grogue gago e tem também um grego grogue. 

– Se a aranha arranha a rã, se a rã arranha a aranha, como a aranha arranha a rã e como a rã arranha a aranha.

12.8 – EXPRESSÃO CORPORAL
O orador não deve se curvar, a postura deve ser ereta com os ombros para trás, cabeça erguida e olhos que conferem cada um dos ouvintes.

Os gestos devem acompanhar o texto, a inflexão de voz e a expressão facial.

Quando a oração der ênfase ao céu, o orador deve olhar para cima, descontrair a face, abrir os braços e, se possível, dar um passo adiante.

Ao contrário, quando se falar de inferno, deve-se olhar para baixo e fechar o cenho, cerrar os punhos e, se possível, dar um passo atrás.

Quando se falar de amor a voz deve soar lenta, melodiosa, meiga, suave, quase inaudível, os gestos deverão ser ternos, harmônicos e leves, os olhos saem do patamar comum para se elevarem, a cabeça se tomba, como quisesse melhor ouvir aquele som:

– E só naquele momento senti o quanto eu a amava e quanto eu dependia do seu sorriso, maroto, para alimentar a minha jovialidade e minha confiança na vida.

Mas quando o discurso enveredar para a estrada da paixão, o gestual e a expressão ganharão outro matiz, desta vez mais denso, mais amargo e profundo, porém incisivo e quente:

– Quantas e quantas noites, sem qualquer razão aparente, me pareceu sentir o seu perfume, e até o seu calor, bem a meu lado, a incitar o meu corpo e a possuir os meus sentidos…

Por outro lado, quando a meta é provocar o público, fazê-lo levantar-se e contagiá-lo com uma expressão de alegria, os gestos serão largos, a voz estridente, e a expressão elevada e aberta, mas as palavras deverão soar firmes, convidativas e desafiadoras:

– Eu te convido a beber comigo o cálice da alegria e, cantando, de braços dados, seguirmos juntos por esta estrada florida, ainda molhada do sereno da primavera, e embebedarmos-nos do sol da manhã, até que a noite, estrelada e morna, nos mostre o caminho de volta.

Nos discursos lidos a gesticulação deve ser mais moderada e só é recomendável para dar contorno a uma ou outra manifestação mais significativa.

O orador vai marcando os trechos lidos e vai intercalando seu olhar para o público e sua atividade de ler, sempre absorvendo, para externar sem interrupções, as orações completas.

As pausas, acentuadoras ou perquiridoras, são figuras muito utilizadas para acentuar uma parte do discurso ou uma afirmação que se pretende repetitivas.

– Eu disse a ele que não seria mais possível resistir àqueles insultos…

(pausa…) Eu disse a ele.

As pausas podem ser usadas em qualquer tipo de locução, mas sua aplicação é ligeiramente diferente em cada caso.

– Será que ela queria efetivamente abandonar o lar que fora construído com suor e sangue por ambos?
(pausa…) Ela queria sim.

Não se deve ter medo das pausas, é preciso, contudo, aprender a utilizá-las proveitosamente.

12.9 – PRÁTICA DE MANIFESTAÇÕES EM PÚBLICO
É natural que as pessoas tenham certo receio de manifestar-se em público e, por isto, quase sempre procurem se afastar das reuniões comunitárias, das situações em que haja ensejo de ser ouvido e, mais grave, do convívio social.

Como o homem é um ser social, óbvio, necessita trocar idéias com outras pessoas para formar as suas convicções e para aperfeiçoar os seus instintos, do contrário, estará sempre se afastando das oportunidades, da vida e do sabor da auto-estima.

Para conseguir sufocar este vício – o medo é um vício que vai se acentuando -, só existe um caminho: o enfrentamento.

O orador deve procurar todas as oportunidades para se manifestar em público, se nada tiver a acrescentar em uma reunião, poderá, pelo menos, dizer que gostou das tantas manifestações de terceiros e que foi útil estar presente ao evento.

Apenas este gesto, e nada mais, será o suficiente para ir matando o medo aos poucos, e demonstrando para o seu eu interior que você é capaz de participar, de comunicar e de se manter ativo num relacionamento social.

Todavia, sempre que houver oportunidade de fazer uma homenagem a um amigo em datas ou eventos especiais, ou fazer uma apresentação de qualquer tese em público, não se deve deixar de fazê-lo, porque o exercício da comunicação traz benefícios cumulativos e vai estimular, cada vez mais, o orador a participar do mundo, da vida, das alegrias e das realizações que tudo isto pode proporcionar.

13 – AS SETE PALAVRAS MÁGICAS DO ORADOR

EMPATIA – O primeiro passo do Orador é estabelecer empatia com o seu Público.

FIRMEZA – O orador deve refletir firmeza.

CORAGEM – A coragem contagia o público e valoriza o Orador.

SIMPLICIDADE – Só com simplicidade é possível atingir a todos.

DEDICAÇÃO – Sem profunda dedicaçãonão se forma um Orador.

SABEDORIA – A sabedoria é a razão de existir do Orador.

SENSIBILIDADE – É a sensibilidade que dá sentido à vida e às palavras.

FONTE: Juris Way

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Sobre César.

Liberdade é o direito de fazer tudo o que a lei permite. Montesquieu

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