Promotora do DF é presa pela Polícia Federal

Deborah Guerner é acusada de participar do esquema do mensalão do DEM.
O advogado disse que não teve acesso ao mandado de prisão.

Débora Santos Do G1, em Brasília

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A promotora Deborah Guerner (coberta
com um lenço) chega à sede da Polícia Civil de
Brasília após ter sido presa pela Polícia Federal
no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek.
(Foto: Celso Junior/Agência Estado)
A promotora Deborah Guerner foi presa na manhã desta quarta-feira (20) pela Polícia Federal. Ela e o ex-procurador de Justiça do DF Leonardo Bandarra são acusados de se beneficiarem do esquema de corrupção conhecido como o mensalão do DEM no Distrito Federal.

Segundo o Ministério Público Federal no DF, Deborah Guerner e o marido, Jorge Guerner, tiveram a prisão preventiva decretada com base em indícios de participação de ambos em outro esquema de corrupção em São Paulo. O objetivo da prisão, segundo o MP, é garantir a ordem pública e evitar que crimes continuem a ser cometidos. O MP informou que ainda não pode divulgar detalhes dessa nova investigação.

O MP informou também que nesta terça-feira (19) foi feito um novo pedido de denúncia contra a promotora. Ela é acusada de fraude processual por ter supostamente simulado insanidade mental para não ser responsabilizada pelos crimes dos quais é investigada. De acordo com o MP, há provas, em vídeos e documentos, de que Guerner teria feito aulas de teatro para simular a loucura, além de outros artifícios.

A denúncia será avaliada pela juíza Mônica Sifuentes do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF), que vai decidir se Guerner responderá por mais essa acusação.

Prisão
A assessoria da PF e o MP informaram que Deborah Guerner e o marido foram presos em casa, mas segundo o advogado do casal, Pedro Paulo Medeiros, eles foram presos no Aeroporto Internacional de Brasília, quando regressavam de uma viagem à Itália. Medeiros explicou que Deborah Guerner viajou para a Itália porque o marido tem negócios no país. Segundo o advogado, Jorge Guerner viaja uma vez por mês para a Itália.

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Déborah Guerner está presa na Superintendência da Polícia Federal em Brasília por ter foro privilegiado. O marido de Guerner também foi preso pela PF e será encaminhado para o Complexo Penitenciário da Papuda.

O advogado de Guerner disse que não teve acesso ao mandado de prisão, expedido pelo TRF da 1ª Região nesta segunda-feira (18). Ele disse ainda que sempre comunica ao TRF quando Guerner e o marido viajam para o exterior.

Corrupção
Deborah Guerner e Leonardo Bandarra são acusados de exigir R$ 2 milhões para não divulgar um vídeo em que o ex-governador José Roberto Arruda aparece recebendo dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa.

Promotora Deborah Guerner durante audiência no
Distrito Federal (Foto: Reprodução Tv Globo)
Segundo denúncias de Durval Barbosa, Bandarra recebeu do esquema R$ 1,6 milhão, além de R$ 150 mil por mês, para impedir que os contratos sem licitação para a coleta de lixo fossem investigados.

O Ministério Público Federal denunciou Guerner e Bandarra pelos crimes de violação de sigilo funcional, concussão (exigir dinheiro ou vantagem em razão da função que ocupa) e formação de quadrilha. Eles foram afastados das funções no MP em dezembro de 2010. Bandarra foi procurador-geral de Justiça do Distrito Federal até junho de 2010 e a promotora Deborah Guerner era sua auxiliar.

Segundo dados da investigação da Polícia Federal, teria sido Deborah a responsável por estabelecer as negociações de cobrança de propina com Durval Barbosa quando ele ocupava a Secretaria de Relações Institucionais no governo Arruda.

Processo
Guerner e Bandarra respondem a processo administrativo no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). No dia 6 de abril, durante julgamento no CNMP, Guerner teve um episódio de descontrole emocional.

Durante a leitura do voto do relator, a promotora Deborah Guerner, deixou o plenário e, segundo o advogado Rogério Martins, teve um episódio de “desequilíbrio”. Os gritos da procuradora podiam ser ouvidos pelos conselheiros dentro do plenário. Em conversa com um dos advogados, Guerner dizia ser inocente, se disse também vítima de linchamento moral e alvo das mentiras de “dois bandidos”.

“A verdade é que eu não fiz nada. Eu não tenho nada com isso, estão se baseando na palavra de dois bandidos”, disse a promotora.

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